A noite sonamboleia
e eu vagueio na suspeita de um olhar perdido cujas pálpebras não se rendem ao sonho.
Fico aqui presa aos contornos do teu rosto,
ao delinear de teus lábios espevitados,
aos pelos que descem o teu queixo,
e ao soslaio do teu olhar matreiro que me inebria.
Apago as luzes e cerro todas as frinchas
mas mesmo assim o teu rosto se ilumina na minha lucidez.
Então hoje, particularmente,
devolvo-me ao dia primordial como se intemporal...
Lembro teu rosto descaído,
teu silêncio dorido,
tua voz flácida desnutrida...
revejo aquele gesto tão simples
com que erguias os dedos para amparar mais uma lágrima
que tentavas disfarçar.
Eu sentia sufocar a ansiedade de te soprar uma brisa de felicidade
a um estranho,
a um ser distante que eu desconhecia,
a um rosto que dava cor aos poemas que os meus olhos beberam sofregamente.
Não eras só uma presença,
eras o que eu não adivinhava,
aquele que eu temia perder sem saber,
sem ter...
Lembro o tempo passar em silêncio
e eu apenas te pedia um sorriso que disfarçasse a tua dor.
Lembro que me doeu também uma dor que não era minha,
sem porquê... apenas desejei carrega-la contigo para te aliviar...
A noite foi passando, como esta agora,
em que reproduzo teus pequenos gestos,
em que registo aquele erguer lento do teu rosto
até que o teu olhar poisasse em mim
e sorriste por fim.
Eu sabia que sorrias por mim e não por ti,
querias apenas resguardar-me do teu sofrimento...
Mas não conseguiste, lamento...
Então eu também sorri para que enfim acreditasses
e nesse momento o teu sorriso passou a verdadeiro por instantes.
Nunca requeri uma explicação.
Porque o faria?
Compreender é um acto voluntário que não depende de confissões mas apenas de acreditar, e eu limitei-me a acreditar em ti sem questionar.
Quem não precisa de alguém que simplesmente acredite?
Eu preciso, e toda a gente precisa...
Aquele desfilar de horas partilhadas enquanto acompanhei tuas lágrimas até ao fim, tornou-se a sina dos meus dias, o marcar de uma nova era, um outro lado do meu viver nasceu... nas tuas mãos.
Poucos dias depois eram incontidas as tuas palavras tão loucas quanto verdadeiras e profundas.
Falavas como se de dentro de ti tivesse nascid um novo rio de águas límpidas e encantadas.
Assim encantaste-me e suplicaste... oh como suplicaste tão ardentemente... que eu tivesse coragem de sentir o quanto me amavas.... suplicaste que eu tivesse a ousadia de ler em mim o brotar desse amor também!
E assim foi.
Nasci no teu melhor poema, de um verso apenas, quando sem voz me gritaste em letras gigantes...
repetidamente....
e de novo...
e novamente...
AMO-TE
AMO-TE
AMO-TE
AMO-TE
...
E eu...
passei a AMAR-TE eternamente!
É meu destino... não sei viver sem Amor
Love of my Life
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Gravei-te meu destino
Olho-te sem esconder a profundeza de toda as minhas lágrimas,
sem a timidez e o nervosismo perante o teu corpo,
sem o medo de falhar em qualquer gesto para que tudo seja perfeito.
Olho o teu rosto que tenho desenhado nas palmas das minhas mãos...
Os contornos que memorizei nos meus dedos,
A boca que me inebriou,
O sabor que conservo nos meus lábios...
Olho-te secretamente.
Vejo teu sorriso discreto, teus lábios apertados,
teus olhos de soslaio,
Teu respirar,
O teu sussurro,
tua língua em meu ouvido,
tuas mãos perdidas em mim...
Vejo também teu coração perdido,
sinto a palpitação monótona dos dias,
sinto um ardor que me queima,
pelo pavor de acreditar
que te pressinto,
que o que sinto é real...
Mas doi tanto que corta,
rouba-me as forças,
faz-me enfraquecer cada dia.
Como é estranho o que sinto meu Deus!
Como custa este labirintoem que fujo de mim.
Em que vou de encontro a estas sensações,
em que sinto uma dor do lado de lá do mar...
Resgata-me Deus!
Não quero esta angústia infundada.
Não quero este abismo de um amor impossível.
Não quero recordar o beijo, o suor, a ansiedade, os encontros...
Não quero chorar nem declamar poemas de amor em vão.
Não quero ser eu!
Apaga-me de mim!
Leva-me em qualquer navio que me diste deste sofrimento.
Dilacera as correntes que me aprisionam a uma eternidade de amor e dor.
Faz-me desmaiar para sempre,
Apaga este meu destino cruel em que eu sou o nome que gravei na alma: Helder.
sem a timidez e o nervosismo perante o teu corpo,
sem o medo de falhar em qualquer gesto para que tudo seja perfeito.
Olho o teu rosto que tenho desenhado nas palmas das minhas mãos...
Os contornos que memorizei nos meus dedos,
A boca que me inebriou,
O sabor que conservo nos meus lábios...
Olho-te secretamente.
Vejo teu sorriso discreto, teus lábios apertados,
teus olhos de soslaio,
Teu respirar,
O teu sussurro,
tua língua em meu ouvido,
tuas mãos perdidas em mim...
Vejo também teu coração perdido,
sinto a palpitação monótona dos dias,
sinto um ardor que me queima,
pelo pavor de acreditar
que te pressinto,
que o que sinto é real...
Mas doi tanto que corta,
rouba-me as forças,
faz-me enfraquecer cada dia.
Como é estranho o que sinto meu Deus!
Como custa este labirintoem que fujo de mim.
Em que vou de encontro a estas sensações,
em que sinto uma dor do lado de lá do mar...
Resgata-me Deus!
Não quero esta angústia infundada.
Não quero este abismo de um amor impossível.
Não quero recordar o beijo, o suor, a ansiedade, os encontros...
Não quero chorar nem declamar poemas de amor em vão.
Não quero ser eu!
Apaga-me de mim!
Leva-me em qualquer navio que me diste deste sofrimento.
Dilacera as correntes que me aprisionam a uma eternidade de amor e dor.
Faz-me desmaiar para sempre,
Apaga este meu destino cruel em que eu sou o nome que gravei na alma: Helder.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Sou quem fui
Sou a noite perdida sem Céu
Sou a insónia maldita que esfaqueia a voz...
Não sei a medida da dor…
Se dói por saudade
Se dói mais por amor
Se dói mais ainda a falta de ti em meu olhar,
Do teu toque em mim, virginal,
Que eu retenho imaculado em minha pele….
Não sei se magoa mais a vontade de correr rumo a ti
Rasgando as convenções e o tempo,
Ou então todas as vezes que tento
Fugir de tanta dor
E viver sublinhada pelo vazio incolor
Que é a tua ausência…
Eu não sei quem sou,
Só quem fui, e quem sustento dentro desse ser de outrora.
Vivo ali, naquele toque, naquele abraço,
No lençol branco amarrotado,
No cálice quebrado que celebrou teu corpo dentro do meu.
Fiquei ali, no suor dos vidros embaciados,
Na declamação do teu nome suspirado,
No desejo que te reservei com exclusividade...
Sou reclusa de todos os meus desejos mais ardentes
Que recuso ao mundo
Retendo-os para ti num culto mágico transcendental
Cujos trilhos são secretamente intocáveis...
E a quem, por isso, me odiar, invejar, ou abominar,
Eu suporto e entendo sem sombras nem máscaras.
Porque nessa longanimidade eu tenho a paz
De amar quem te ama também...
Eu sou uma estrela cadente nas mãos de quem me aprender.
Sou a pérola na mão das pessoas que amo
Sem que se apercebam sequer...
Sou o perfume subtil
Que atenta a cada dor e a carrega sem revelar...
Hoje eu tenho lágrimas mananciais,
Não como as de tantos dias, hoje são mais…
Há dias assim…
Sinto-te
Como se apertasse em mim o teu peito,
Como se sentisse teus impulsos e suspiros,
Como se te escutando mesmo distante.
Mas apenas eu sei.
E o mundo seguirá surdo
Sem saber, jamais, que em mim arde a dor abismal de te amar.
Sem saber a dor que conservo em mim
porque não amar-te doeria muito mais...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Palete de uma retrospectiva
A vida é feita de passos e pausas sem que o tempo se altere enquanto passa.
Ler o ontem é delinear o hoje, descortinar o que está para além do visível, e alcançar o amanhã, ainda que desconhecido.
Eu encontro-te em todos os momentos que voaram e regressaram.
Em cada gesto, suspiro e verbo declamado, cada sorriso fértil e autenticado na alma...
Poderiam rugir os mares e verter-se a lua em lágrimas... que eu não acreditaria na inverosimilidade de todos os nossos instantes... não apagaria a tua voz renovando o voto do amor, nem a minha palpitação emudecida perante o teu corpo, nem todos os medos de menina que dissipaste em meus lábios, quando tremeste dentro de mim...
Poderiam mil gentes inundar a tela do meu sonho, falsificar a minha essência, borratar cada contorno do meu coração, ou ofuscar o brilho da minha alma... que mesmo assim... o meu espírito ficaria intacto, meu âmago continuaria a repetir o teu nome, as minhas mãos permaneceriam em busca das tuas e eu permaneço eu, tal como sou, fiel e translúcida para quem tiver a ousadia de me olhar com olhar puro e delicado...
Por vezes temo e lamento as dores com que me afogo por ser assim...
Condeno-me por justificar os erros do mundo, por suportar as afrontas calada, por deixar-me condenar por crimes que desconheço...
Mas maior seria a dor de ferir alguém com todas as armas que me são alcançáveis.
Assim... eu sou forte, em todas as minhas fragilidades, por saber que em nada sou a infelicidade de ninguém... apenas a minha...
Mas a minha dor é paz.
Porque sempre que sorrires eu sinto e sei que não sou lágrima em ti, porque eu carrego todas as lágrimas que te vi verter desde o momento primordial do amor que apelaste em mim nas letras gigantes que fizeste voar... dizendo compulsivamente... "AMO-TE, AMO-TE, AMO-TE..."
Foi assim que aprendi a AMAR-TE também.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Meu é o que eu souber fazer voar...
Eu sinto-te.
Tu sabes que sinto, que escuto e percebo.
Eu assisto às tuas noites de olhos fingidos em que não sabes adormecer.
Eu perco-me, dilacerada, nas entranhas dos teus pensamentos, de onde escuto a dor que assumiste ser maior que o imaginável.
Eu quero beber essa dor que é minha.
Tu sabes que sinto o teu respirar, como de um guerreiro desarmado que soluça embriagado num trilho perdido.
Tu sentes-me. E temes esse sentir que é ferida de asas que são nossas.
Porque há um voo suspenso no tempo que subsiste ao temporal.
Há um existir inexplicável que nos impele e perfura a alma.
Não é um recordar, nem uma saudade, não é uma fuga ou um anseio...
É uma firme angústia que disfarçamos com silêncios e fugas, infrutíferamente...
É aquele sorriso que lanças para ocultar a lágrima.
É a gargalhada que eu estilhaço para camuflar o degredo em que me torno, já incapaz de ocultar...
Temos um medo abismal de descortinar um sonho real, de desfazer todos os feitiços ignóbeis com que nos enleiam, de descobrir que, afinal, no cumprimento de todos os temores, o que sentimos é amor!
Mas vamos permanecer nestas grutas labirínticas em que a escuridão nos permitirá continuar a fugir errantes até que uma luz nos chame e prenda a si...
Rumo a um dia perfeito em que nos toquemos de novo, definitivamente, na mesma dimensão eterna com que se tocam as nossas almas.
Ai de quem te aprisiona, não sabendo que a alma é livre...
Triste é a consciência da felicidade que custou o preço da dor...
Fantasioso é o sorriso da vitória de uma batalha sem rei...
Então toda a luta foi em vão, quando se luta contra o amor.
Não há paz maior que é a da tranquilidade da consciência e da plena certeza de um perfeito amor.
Porque esse é eterno, imune aos temporais, ferido pelas pedras no caminho mas sempre restaurado na sua própria força.
Nada do que nos pertence se vai para sempre.
Nada é nosso quando o possuímos, mas sim quando, a todo o preço, damos-lhe asas para que possa sempre regressar...
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Feliz Aniversário
A manhã despoletou ao som do teu sorriso.
As tuas palavras deslizaram como nuvens
num céu que me inundava de magia...
Nenhuma canção foi mais perfeita
que as tuas emoções naquele dia...
Em meu íntimo cresciam pétalas multicor,
o mundo apagava-se em meu redor
e tudo eras tu enquanto para mim sorrias.
Aquele momento primordial estava poisado na minha mão.
Foi a tua voz em expressões de amor
numa declamação tão perfeita
como sempre me habituaste a ouvir...
E fizemos a festa, lançámos os foguetes
apagámos as velas num único sorrir...
Apenas momentos que deram ao dia um sentido sublime...
Nada se apagaria,
porque tudo tinha a dimensão do intocável,
no corpo, as plumas de cada verbo,
no olhar a visão permanente do teu rosto
e nas mãos vazias, a certeza de um toque bem perto...
Entre as tuas denúncias revelaste
que dois minutos comigo enchiam de felicidade o dia inteiro...
E eu bebi desalmadamente cada sílaba,
sorvi cada gota que me rejuvenescia...
selei-me com teu poema mais intenso,
monossilábico... hummmmmmmmmm...
Como me arrepiou cada suspiro!
Quantas noites perfeitas as estrelas acenderam
sem que me permitissem dormitar!
Estrelas de momentos que não se apagam,
de expressões irredutíveis,
das confissões que a alma se atreveu a desabrochar...
Hoje o dia acontece de novo.
É teu
Mas também é nosso.
É o sorriso dos que te amam
é a marca do teu primeiro gemido,
é a vitória da tua existência sobre o tempo,
a dádiva da vida para quem te contempla
e pode tocar, ouvir e acariciar...
A minha única sorte
é não presenciar todas as tristezas do teu olhar,
não perceber teus pensamentos flutuantes,
não temer as saudades que te rasgam as entranhas,
não te ver doer
o que, estranhamente, ninguém ousa sarar...
O meu único infortúnio
é não poder aquecer teus lábios arrefecidos,
não completar nas tuas mãos o que na alma já se selou...
é não poder beber as tuas lágrimas
nem devolver-te a razão da tua paz...
Mas hoje é o teu dia,
hoje vou cantar tão baixinho
que as estrelas te possam segredar sem te acordar,
e fazer, de todas as horas, um sorriso permanente.
Amo-te como amo a vida,
porque a vida não é um poema arrebatador nem uma ilusão,
a vida,... é a tua existência.
Licor de Amora,
um brinde...
As tuas palavras deslizaram como nuvens
num céu que me inundava de magia...
Nenhuma canção foi mais perfeita
que as tuas emoções naquele dia...
Em meu íntimo cresciam pétalas multicor,
o mundo apagava-se em meu redor
e tudo eras tu enquanto para mim sorrias.
Aquele momento primordial estava poisado na minha mão.
Foi a tua voz em expressões de amor
numa declamação tão perfeita
como sempre me habituaste a ouvir...
E fizemos a festa, lançámos os foguetes
apagámos as velas num único sorrir...
Apenas momentos que deram ao dia um sentido sublime...
Nada se apagaria,
porque tudo tinha a dimensão do intocável,
no corpo, as plumas de cada verbo,
no olhar a visão permanente do teu rosto
e nas mãos vazias, a certeza de um toque bem perto...
Entre as tuas denúncias revelaste
que dois minutos comigo enchiam de felicidade o dia inteiro...
E eu bebi desalmadamente cada sílaba,
sorvi cada gota que me rejuvenescia...
selei-me com teu poema mais intenso,
monossilábico... hummmmmmmmmm...
Como me arrepiou cada suspiro!
Quantas noites perfeitas as estrelas acenderam
sem que me permitissem dormitar!
Estrelas de momentos que não se apagam,
de expressões irredutíveis,
das confissões que a alma se atreveu a desabrochar...
Hoje o dia acontece de novo.
É teu
Mas também é nosso.
É o sorriso dos que te amam
é a marca do teu primeiro gemido,
é a vitória da tua existência sobre o tempo,
a dádiva da vida para quem te contempla
e pode tocar, ouvir e acariciar...
A minha única sorte
é não presenciar todas as tristezas do teu olhar,
não perceber teus pensamentos flutuantes,
não temer as saudades que te rasgam as entranhas,
não te ver doer
o que, estranhamente, ninguém ousa sarar...
O meu único infortúnio
é não poder aquecer teus lábios arrefecidos,
não completar nas tuas mãos o que na alma já se selou...
é não poder beber as tuas lágrimas
nem devolver-te a razão da tua paz...
Mas hoje é o teu dia,
hoje vou cantar tão baixinho
que as estrelas te possam segredar sem te acordar,
e fazer, de todas as horas, um sorriso permanente.
Amo-te como amo a vida,
porque a vida não é um poema arrebatador nem uma ilusão,
a vida,... é a tua existência.
Licor de Amora,
um brinde...
terça-feira, 20 de julho de 2010
Doce ilusão amarga

Noutro tempo era fácil.
Tão fácil desacreditar de sonhos porque eram apenas sonhos...
Era tão certo o amor nunca chegar.
Era tão simples fugir de mãos e de lábios, na inocência que abrilhantava a vida.
Não havia esperas nem desilusões.
Haviam suspiros apenas, dobrados em recordações principescas sem mácula.
Nada descia à dimensão do instante toque, da fragrância na pele, do olhar flamejante.
Até um dia!
Uma doce ilusão rasgou o véu e entronizou-se na alma.
Absorveu o espaço e o tempo visível e invisível.
Cresceu.
Preencheu tudo numa invasão de flores e frutos, de versos e beijos, de aromas e paladares...
Sugou o tempo de outrora, acordou as pálpebras dormentes, e desenhou arrepios vulcânicos que arrebataram todos os sentidos de uma só vez.
Sem querer, sem saber, sem ter tempo de pensar ou retroceder, tornou-se imperativo acreditar!
Acreditar na descida de um sonho poema que agora tinha mãos e rosto, voz e fôlego, magia em toda a sua chegada...
Foi árduo o percurso da consciência.
Sim era possível o amor chegar!
Chegou sem pré aviso, sem sinais de fumo nem tapetes de carmesim.
Apenas chegou montado em letras ardentes, em apelos de sol e labaredas de magia que me transpunham para uma nova dimensão.
Levitacional encanto que me depôs de todas as minhas defesas.
Larguei a espada e o escudo, despi a armadura de um mundo singelo, para emigrar em braços que prometeram a eternidade.
A dor cresceu.
Entre o sonho e o real cresceram anseios e falésias que nunca romperam o véu extenso dessa ilusão.
Ainda hoje ela é doce e amarga.
Ainda cresce, viciadamente, não obstante os rasgos desferidos.
Ela é semente, é paixão dormente, é anestésico de todos os infortúnios da vida.
Mas ela mesma é o maior de todos os amargos poemas.
Uma doce ilusão amargurada pelos dias,
que se atreve a sobreviver
como quem renasce a cada instante
de um depósito de cinzas
tornando-o em cristal límpido e resistente,
tão forte quanto o amor tornou possível.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Sem ar
Falta-me o ar...
Meu rosto descai e escorre entre as mãos ressequidas,
como se tudo fosse fundido pelo tempo.
Hoje não vivo,
sobrevivo apenas por uma razão que ontem existiu...
em que eu existi.
A noite não me pertence
porque deleguei meus sonos a quem os dominou.
Aprendi a não voar
e recolhi as pétalas outrora estendidas
para que não se encantem nenhuma vez mais...
Nunca mais haverá orvalho em meu colo endurecido,
nem as manhãs terão poiso para seus raios de sol.
Este regaço não é meu
é de quem o tomou como embalo
e levou todas as carícias aveludadas
que jamais ousei dar a conhecer a outro alguém.
Falta-me o chão.
Falta-me a água da fonte,
a sombra de refúgio,
a voz melodia, meu elixir...
Falta-me um tanto que é tão pouco
na imensidão de um ser que me completou.
Agora não sei respirar,
nem caminhar,
se não de olhos postos na perícia dos seus encantos...
Amei
E amarei... sempre em segredo... mais que tudo...
para que consiga continuar a sobreviver...
Meu rosto descai e escorre entre as mãos ressequidas,
como se tudo fosse fundido pelo tempo.
Hoje não vivo,
sobrevivo apenas por uma razão que ontem existiu...
em que eu existi.
A noite não me pertence
porque deleguei meus sonos a quem os dominou.
Aprendi a não voar
e recolhi as pétalas outrora estendidas
para que não se encantem nenhuma vez mais...
Nunca mais haverá orvalho em meu colo endurecido,
nem as manhãs terão poiso para seus raios de sol.
Este regaço não é meu
é de quem o tomou como embalo
e levou todas as carícias aveludadas
que jamais ousei dar a conhecer a outro alguém.
Falta-me o chão.
Falta-me a água da fonte,
a sombra de refúgio,
a voz melodia, meu elixir...
Falta-me um tanto que é tão pouco
na imensidão de um ser que me completou.
Agora não sei respirar,
nem caminhar,
se não de olhos postos na perícia dos seus encantos...
Amei
E amarei... sempre em segredo... mais que tudo...
para que consiga continuar a sobreviver...
Lá longe ... o segredo

Aprende-se.
Passos cansados em chão molhado e triste.
Caminha-se por desnivelados pedregulhos,
rasga-se pele e sua-se... mais um adiante...
Nem o olhar se ergue para não divagar,
porque o chão é lento e assim leva mais tempo a passar...
Demora-se a deixar um ontem de prazer e sonho.
Carregam-se voz e palavras, poemas e olhares
sem que os ombros se atrevam a permitir repousar.
Assim se segue menos triste, menos silenciosamente,
menos vazia...
Mas consegue-se, de alguma forma,
amar secretamente.
Sem que os ventos dissipem os farrapos,
sem que o sol desgaste os beijos trocados,
sem que a chuva lave o odor do prazer desenhado.
Lá longe...
chega-se à cabana abandonada,
ao abrigo ignóbil
que ninguém ousa desconfiar...
e é paz sem dúvidas,
é delicia entre os seios
quando os olhos desmaiam
para dar lugar ao devaneio perpétuo.
A caminhada ardilosa nos valados da desilusão
desagua num destino anestesiado
onde o segredo se mantém,
o que só eu sei,
o elixir que me faz resistir...
...viver...
uma única existência que nenhum dia saberá apagar...
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Quem ama espera...

Quem ama não morre...
Vai morrendo...
Chega-se a sentir o cheiro da terra sobre a pele, chega a arder pelas lágrimas que faltam, os lábios gretam na tentativa de uma devoção imaculada.
Depois, algures, uma madrugada orvalhada trás restauro nas pinceladas das recordações mágicas... e um sorriso enfraquecido se esboça na boca, apelando à voz que declame uma vez mais o nome que teima lacrar em segredo.
Mas, entre sorrisos mais desmaiados e gélidas noites sem luar, o corpo levita, ausente, a alma vagueia e os olhos vão-se fechando porque já o brilho do mar se esbate lentamente...
Mas não se morre... vai-se morrendo...
Não se morre porque há sempre, supostamente, um amanhã, algures... que talvez possa nascer...
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Hurts so bad... this emptyness

Querido Oceano das minhas Ilusões...
Leva meu destino e meu fôlego,
devolve-me ao pó,
ao silêncio,
a um nada...frio e inerte...
Já nada tenho para dar
nem nada que possa, alguém, resgatar.
Já não sou eu que falo ou escrevo...
Quase me desconheço
a não ser nas palavras acomodadas de outros dias em que eu existi.
Dói demais este vazio.
Não quero senti-lo,
nem consigo afasta-lo porque é um vácuo que me preenche de nada...
E desse abismo sou sobrevivente enquanto não me levares daqui...
Hurts so bad...this emptyness...
Um hoje que é sempre assim...

Tenho a cabeça pesada,
uma vontade de nada,
uma esfera que roda sem destino,
empurrada por um vento forte sem que lhe resista.
Dores de parto, gestação de medos,
um não estar onde estou,
uma ausência de alma onde o corpo poisa,
não estou cá dentro.
Vagueio nas horas sem que elas me fujam,
ansiedade crescente, felina,
uma explosão permanente,
uma lava que escorre sem contenção...
Estou em fusão.
Arranco a vida dos caminhos diante de meus pés,
diluo os trilhos traçados, as vozes que se erguem,
apago os vestígios que não quero dissipar.
Sim, arranco-os a ferros sem querer perde-los.
Preciso forçar a paz,
submeter a tranquilidade às minhas mãos,
sem que se disfarcem as marcas
desse corpo que sonho,
dessa boca que me faz febril,
dessa voz que oiço sobreposta a todos os sons.
Declamo a minha loucura, sobriamente.
Nada é mais loucura que aquela que é consciente,
em que me tomo pela mão e me entrego
às cadeias invisíveis do amor,
sem que seja um horizonte para mim.
Mas estou preparada, treinada,
apta para amar silenciosamente,
sem respirar
para que os ventos não levem nem dissipem meus perfumes,
para que ninguém saiba...
o quanto o meu amor cresceu na penumbra da tua existência,
debaixo dos teus pés,
desejando-te secretamente a felicidade que não ousei alcançar.
Apenas as palavras me aliviam,
regadas por lágrimas em terras férteis,
de onde se erguem todas as impossibilidades
vencidas por um momento
que o amor fertilizou para sempre.
Quem ama destila néctar de saudades,
rompe oceanos com a voz,
rasga céus com asas de sonho,
alcança, mesmo que tenha de vestir humildade,
vence o orgulho e esquece a vida,
porque nem sempre há um amanhã,
e a vida foge sem que o sorriso conheça a madrugada orvalhada
de um beijo longo e orgásmico
que vence todas as dores,
apagando-as sem rasto.
Apenas um beijo
um toque leve de lábios ardendo de amor e paixão,
converte dois corpos amantes
num enlace frutífero de sabores intensos
capazes de se fundirem num só.
Aí sim, voltarei a mim.
Maldita!

Onde estás com teu corpo e teu fôlego?
Senti a noite rachar ressequida, sedenta...
tombando pedaços de céu enegrecido sobre meu leito triste.
Maldita noite que me arrancou pele e voz,
malditos gritos que o mar em mim desferiu,
soletrando teu nome como trovoadas incessantes!
Eu sou um rochedo que o sal corrói,
trago a gélida amargura de uma saudade que me faz desmaiar,
eu sinto esta parte de mim faltar,
falta-me este bafo quente dos lábios que me arrepiam os sentidos...
Eu mato-te noite!
Eu vou empurrar-te nos sonos que não vou cumprir em ti
para que não me venças em tormenta...
Oh como dói!
Dói tanto!
Dói.......
Como se uma caixa se fechasse em mim lentamente,
perco a razão e desfaleço... vou desfalecendo...
Tenho pressa de sucumbir e parece tudo tardar.
Não vale a pena reinventar mais gestos,
nem projetar lábios entrelaçados sob águas quentes que escorrem em nossos corpos.
Ah que saudade dos reflexos,
dos cálices e das caricias, dos sabores intensos,
da ansiedade acumulada, da tensão mesclada com o desejo,
do nervosismo perante o ser amado,
como quem parte na descoberta de um novo mundo encantado.
Noite amarga,
o que recordo com sorriso profundo de alma,
tu convertes em lágrima que não estanca...
Vou condenar-te com minhas insónias,
vou apagar-te, noite! Eu juro.
Vou expulsar-te dos meus sonhos de beira-mar,
libertar-me do teu luar,
aquele em que os vidros molhados e o suor vertido
me deram verbos eternos
que jamais se apagarão em mim...
São todos meus esses momentos.
Todos meus!
Noite maldita,
pensas que tens o poder de todos os feitiços
mas o raiar da manhã é o meu alento,
porque tenho pressa nos dias,
pressa de me ir,
pressa de acordar
num outro lugar...
sem noites amaldiçoadas.
domingo, 27 de junho de 2010
Pele Maldita

Pele que te arrepias em meu corpo...
Da-me a paz que almejo, o desencanto que preciso,
a desilusão que tanto procuro alimentar...
Não te ergas contra meus destinos,
não me perturbes com as lembranças de um sabor raro,
nem da voz de um príncipe encantado,
não me molhes de suor e desejo,
do prazer que almejo,
nem da água quente trazida por um olhar fulgente...
Em vez dessa tortura,
resgata-me da loucura,
e da-me a dormência profunda
anestesiando meus sentimentos para que petrifiquem algures num deserto.
Não me olhes assim...
não me eleves a nuvens brancas,
nem às estrelas que se calaram perante meu gemido,
não me permitas um abrigo...
Eu sempre soube não ser amada.
Eu aprendi a não esperar,
a não conhecer uma razão para acreditar...
Eu cresci ao lado do medo,
cresci em segredo
esquecida de mim
para poder ver alguém sorrir...
Aprendi a ser feliz num olhar sorridente que passasse por mim de soslaio,
nunca pedi ou esperei presentes, nem ambicionei ser uma noiva de maio.
Dei passos largos na conquista de outras alegrias,
e hoje eu sou apenas o que dos outros criei em mim...
Ninguém me conhece.
Ninguém.
Ninguém me viu nem me leu, nem nunca serei desvendada por quem quer que seja.
Nem a quem eu dei meus livros abertos, reconheceu as letras da minha essência.
Agora tu reclamas em fogo, pele maldita!
Reclamas lábios que não te posso conceder,
recusas caricias de outro alguém,
entorpeces-me com desejos lascivos,
gritas-me um nome que cravaste em teus poros...
Não suporto a febre com que me rasgas,
nem a fúria com que me arrancas gemidos...
Trago em ti um toque permanente que não permitirei violar,
tenho na tua textura o odor promiscuo do prazer
que ninguém ousará dissipar...
Fazes-me incandescente,
cruzar a noite em branco,
insuportavelmente...
Porque nunca aprendi a ter
o que melhor a prendi a dar,
o amor...
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Eu sei o que é amar-te

Eu sei o que é sentir uma nuvem doce e perfumada preencher a alma.
Eu tenho no paladar as essências virginais de emoções que aguardam em ti um destino para se tornarem voz.
Fingi sorrisos onde as lágrimas corriam, e segredei aos oceanos que nunca revelassem meus infortúnios.
Dei passos na areia molhada, apenas com o olhar, sem forças para caminhar... mas projetando mãos dadas lado a lado, caladas, unidas por olhares que denunciam uma magia inigualável.
O mar também levou estas ilusões em segredo.
Resisti a cada golpe de espada desembainhada como se a ela fosse imune, como que amando-a, só por ela te mar também.
Aprendi a conviver com o esvoaçar dos teus braços sem plumas dispersas que me indiciassem o teu retorno, mas sempre te esperando, e ainda espero...
Bebi as tuas palavras soltas que trago ao peito num colar invisível cujo brilho ofusca quem passa sem que perceba o grau da sua pureza.
Eu partilho o meu dia-a-dia num monólogo delicado e cheio de sorrisos, que dentro de mim se estende num cenário idílico onde me escutas e me conheces, onde me olhas feliz e esquecido de um mundo glaciar que te rouba a paz...
Parei num momento de sonho e solicitei que me fizesse sua prisioneira.
Recebi em meu coração todas as princesas do teu reino, todas as afrontas converti em carícias, dissipei os seus ciúmes, e servi-lhes o mel da tua essência.
Abri os braços sobre o meu colo que te aguarda em cada retorno, porque eu sabia que nunca seriam partidas, mas apenas instantes que pedias ao tempo para saboreares a saudade...
E aqui estou, escondida, como sempre, nas palavras que nunca serão levadas por nenhum olhar, apenas suando gotas com o teu nome, porque em mim transborda como um Zambeze beijado pelos fins de tarde de Moçambique, o meu outro amor.
Eu sei olhar-te sem que sintas, sinto-te nos momentos em que a alma te aperta, em que te contens, em que ergues a cabeça para atropelar uma saudade, em cada anoitecer disfarçado de um sono que se chama pelo meu nome e teima em não estar.
Oiço-te em cada mentira com que te enganas, em cada verbo que implodes, em todos os suspiros com que sopras o meu rosto para longe...
Conheço as amarras que te vão dilacerando as mãos sem que percebas, alcanço o círculo que te encerra, aprisionado, e fecho os olhos para não ler o teu olhar perdido.
Hoje eu sei que não quero medir o mar.
Quero continuar a olha-lo como a gota de água que dista meu pensamento de ti, meu olhar e a tua imagem, meu sentimento da tua existência.
Amar sim, como quem alimenta um jardim, sem que ninguém passeie por ele, virginal, aguardando... na longanimidade que o amor permite exercer, mesmo nas incertezas de uma chegada que pode nunca acontecer...
Mas esse campo de flores e frutos levará através dos tempos, os aromas e manjares que alguém ousou sonhar...
Amar não é ilusão.
É fé espontânea.
É sentir, estranhamente, um chão seguro mesmo em meio a turbulentas bofetadas da vida.
É quase uma certeza sem provas de que as almas se completam mesmo que as mãos não se toquem, nem as vozes se cruzem ou nunca os corpos se deliciem.
O amar é um estado delicado mas inabalável da alma, que deixa rastos invisíveis, perfumes que toda a gente sente no ar, e que se protege com a autenticidade, como muralhas de um castelo de diamante... de portais abertos a quem queira respeitar e ser cúmplice desse universo tão único...
Eu sei amar. Eu sei sorrir sobre um beijo trocado, sei beijar teus olhos só de os recordar, sei repetir em meus ouvidos a tua voz quando me disseste que todos os dias pensavas em mim, sou capaz de me alimentar com tua declamação de prazer quando teu corpo tremeu.
Eu amo o encanto do sonho que não me frustra nunca vir a ser real.
Eu não amo uma ilusão nem uma improbabilidade.
Eu amo porque no simples ato de amar sou feliz.
Eu amo uma existência que és tu.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Hoje


Hoje sou a mesma flauta que geme o teu nome e que se abstrai do tempo para que não saiba a medida da dor da ausência e da distância.
Hoje o dia só tem uma cor, tão translúcida quanto a água, para que o teu rosto nunca se esfume entre o espectro de um arco-íris que insista rasgar a neblina.
Hoje eu não peço nada, como nunca pedi...
Hoje o dia pertence-me mas eu continuo a não ser minha.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Contendo a alma...
Hoje, como todos os dias...
Mas, mais hoje e alguns outros, eu desfaleço totalmente.
Hoje eu sinto necessidade de gritar o teu nome sem medo,
de te chamar, te declamar palavras que não consegui dizer...
Queria ver-te ao longe passar, simplesmente...
E eu então, como sempre,
olhar-te-ia com silêncio para que não percebesses...
beijava-te os olhos só de te desejar,
arrebatava-te em meu corpo só por te sonhar...
Hoje há dentro de mim um oceano contido de lágrimas e de sonhos,
há chama e poesia,
há um torpedo que me estilhaça em saudades.
Há um eterno delírio qual diamante incontornável,
insolúvel,
invencível,
que me angustia e desgasta,
que me corrói e mata lentamente.
O fôlego fecha-se em mim sem solicitar,
mas eu permaneço estática, imóvel,
inerte,
fracassada.
Mas seria maior a dor de te esquecer!
Não permito à alma nem ao corpo,
apagar o odor dos teus poros,
o fluido do teu salivar em meus lábios, seios, sexo...
Não apagarei os trilhos do teu desejo
nem as longas estradas da tua voz.
Beberei de ti as gotas que em mim plantaste,
o manancial que rasgaste em meu coração,
a falésia da distância que vencemos em cada orgasmo.
Quero conservar as noites vazias sem ti,
são melhores do que te apagar.
Quero chorar a minha sorte
porque nela sou mais feliz do que se a anulasse dentro de mim.
Vou escrever os meus sonhos,
ensinar ao universo
como se sonha verdadeiramente,
sem obcessão nem fugas,
sem medos...
apenas fundados nos alicerces do amor.
Em paz e serenidade,
em esperança e paciência inesgotáveis,
em benignidade e mansidão,
tudo suportando,
com fé,
temperando as lágrimas com as doces recordações,
e viver a realidade
como se as nuvens estivessem debaixo dos pés,
como se nas mãos poisassem pombas brancas,
como se amanhã, finalmente,
haja um toque de magia.
Assim se espera o amor eternamente.
Mesmo sem pressas nem ansiedade,
sem exigências ou contornos obscuros e malévolos...
Quem ama aguarda as horas certas,
aguarda o dia que pode não vir,
espera na janela do tempo,
segue as linhas dos dias que já se foram
e sente que o que passou não foi tempo perdido,
foi tempo que aproximou mais um amanhã...
Há sempre um amanhã para chegar...
O olhar de quem ama nunca se distancia desse amanhã,
porque nele reside o baú dos sonhos que estão por vir.
Hoje eu grito o teu nome dentro de mim
porque amanhã eu sei que posso não ter voz,
porque assim as árvores me ouvirão
e o mar poderá gritar por mim
a eternidade de um sentimento que os lábios não tiveram tempo de declamar...
Mas, mais hoje e alguns outros, eu desfaleço totalmente.
Hoje eu sinto necessidade de gritar o teu nome sem medo,
de te chamar, te declamar palavras que não consegui dizer...
Queria ver-te ao longe passar, simplesmente...
E eu então, como sempre,
olhar-te-ia com silêncio para que não percebesses...
beijava-te os olhos só de te desejar,
arrebatava-te em meu corpo só por te sonhar...
Hoje há dentro de mim um oceano contido de lágrimas e de sonhos,
há chama e poesia,
há um torpedo que me estilhaça em saudades.
Há um eterno delírio qual diamante incontornável,
insolúvel,
invencível,
que me angustia e desgasta,
que me corrói e mata lentamente.
O fôlego fecha-se em mim sem solicitar,
mas eu permaneço estática, imóvel,
inerte,
fracassada.
Mas seria maior a dor de te esquecer!
Não permito à alma nem ao corpo,
apagar o odor dos teus poros,
o fluido do teu salivar em meus lábios, seios, sexo...
Não apagarei os trilhos do teu desejo
nem as longas estradas da tua voz.
Beberei de ti as gotas que em mim plantaste,
o manancial que rasgaste em meu coração,
a falésia da distância que vencemos em cada orgasmo.
Quero conservar as noites vazias sem ti,
são melhores do que te apagar.
Quero chorar a minha sorte
porque nela sou mais feliz do que se a anulasse dentro de mim.
Vou escrever os meus sonhos,
ensinar ao universo
como se sonha verdadeiramente,
sem obcessão nem fugas,
sem medos...
apenas fundados nos alicerces do amor.
Em paz e serenidade,
em esperança e paciência inesgotáveis,
em benignidade e mansidão,
tudo suportando,
com fé,
temperando as lágrimas com as doces recordações,
e viver a realidade
como se as nuvens estivessem debaixo dos pés,
como se nas mãos poisassem pombas brancas,
como se amanhã, finalmente,
haja um toque de magia.
Assim se espera o amor eternamente.
Mesmo sem pressas nem ansiedade,
sem exigências ou contornos obscuros e malévolos...
Quem ama aguarda as horas certas,
aguarda o dia que pode não vir,
espera na janela do tempo,
segue as linhas dos dias que já se foram
e sente que o que passou não foi tempo perdido,
foi tempo que aproximou mais um amanhã...
Há sempre um amanhã para chegar...
O olhar de quem ama nunca se distancia desse amanhã,
porque nele reside o baú dos sonhos que estão por vir.
Hoje eu grito o teu nome dentro de mim
porque amanhã eu sei que posso não ter voz,
porque assim as árvores me ouvirão
e o mar poderá gritar por mim
a eternidade de um sentimento que os lábios não tiveram tempo de declamar...
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Perfume
Eu queria ter de novo apenas um perfume.
Aquele que é a tua pele, o teu bafo, o teu suor, o teu prazer.
Eu não ambiciono altares nem palácios,
nunca escrevi direitos nem anseios,
nunca lutei nem venci nada...
Mas tive tudo o que esperei da vida.
Tive umas águas furtadas em teu coração,
tive o encontro dos olhares repletos de um mundo por declamar,
tive a boca saciada dos teus manjares,
e permanece virginal.
Intocada desde então.
Inviolável por nenhum outro odor ou toque,
nem cada poro permitiu um outro poisar...
porque tu és o esvoaçar que eu olho de longe,
és a pluma que encanta o meu céu azul,
basta que respires,
basta que existas,
basta eu saber...
E vencerei os dias
e ganharei forças
e plantarei flores
e erguerei um palácio dentro de mim...
Esperarei, sem medos nem expectativas,
apenas esperarei na longanimidade do amor
um momento que desconheço
mas que lhe sinto o sabor
porque eu sei os teus aromas,
decorei a tua cor,
inspirei o teu fôlego,
acompanhei o compasso do teu pulsar,
e, mesmo calada,
te gritei, sem voz
tanto que te amo
que não caberia nas palavras...
E hoje apenas choro,
não de tristeza,
não de mágoa ou rancor,
não sei odiar, nunca aprendi,...
mas choro por saber que, afinal,
eu conheci o amor em toda a sua abrangência...
e essa infinitude é a tua eternidade em mim...
Aquele que é a tua pele, o teu bafo, o teu suor, o teu prazer.
Eu não ambiciono altares nem palácios,
nunca escrevi direitos nem anseios,
nunca lutei nem venci nada...
Mas tive tudo o que esperei da vida.
Tive umas águas furtadas em teu coração,
tive o encontro dos olhares repletos de um mundo por declamar,
tive a boca saciada dos teus manjares,
e permanece virginal.
Intocada desde então.
Inviolável por nenhum outro odor ou toque,
nem cada poro permitiu um outro poisar...
porque tu és o esvoaçar que eu olho de longe,
és a pluma que encanta o meu céu azul,
basta que respires,
basta que existas,
basta eu saber...
E vencerei os dias
e ganharei forças
e plantarei flores
e erguerei um palácio dentro de mim...
Esperarei, sem medos nem expectativas,
apenas esperarei na longanimidade do amor
um momento que desconheço
mas que lhe sinto o sabor
porque eu sei os teus aromas,
decorei a tua cor,
inspirei o teu fôlego,
acompanhei o compasso do teu pulsar,
e, mesmo calada,
te gritei, sem voz
tanto que te amo
que não caberia nas palavras...
E hoje apenas choro,
não de tristeza,
não de mágoa ou rancor,
não sei odiar, nunca aprendi,...
mas choro por saber que, afinal,
eu conheci o amor em toda a sua abrangência...
e essa infinitude é a tua eternidade em mim...
terça-feira, 25 de maio de 2010
Even If tomorrow never comes...

I'll be waiting all the time...
holding my eyes over the blue green sea, landing on a perfect horizon
drying my tears...
dreaming with a new morning sun in whose brightness you'll return and say once again:
-I never stopped loving you... I think/thought of you every day...
I'll be at the same place... where you left... waiting... till the end...
oughting for the moment you'll come and lay on my arms...
I'll keep your blackberry liquor in my lips so you can delight in my soft kiss
Each moment is the time of facing what I feel, if it's worthwhile... all this pain...
But I believe... wherever there's love... everything is worthy... against all things...
And someday... it will be rewarded as it deserves....
Someday, somehow, somewhere, in a dream perhaps...
we'll belong together.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Tão pouco...
Queria entrar no teu mundo e conferir o que sinto.
Confirmar tua inquietude, teu desgosto, teu desalento...
Reconfigurar teu olhar entre os meus lábios e deglutir qualquer lágrima ou infortúnio do teu coração.
Queria uma transmutação que me permitisse deslizar no teu corpo e fazer-te sorrir, derramar perfumes e deixar-te adormecer entre lençóis de felicidade...
Queria ter um jardim para que lançasses teus gritos de incertezas e inseguranças, e eu pudesse suprimir seu triste odor, convertendo-o em delicados aromas que poisassem em teus lábios...
Eu queria tão pouco, como apenas ter-te de novo, ao longe... mesmo em silêncio... mas convicto da pureza do meu amor...
Confirmar tua inquietude, teu desgosto, teu desalento...
Reconfigurar teu olhar entre os meus lábios e deglutir qualquer lágrima ou infortúnio do teu coração.
Queria uma transmutação que me permitisse deslizar no teu corpo e fazer-te sorrir, derramar perfumes e deixar-te adormecer entre lençóis de felicidade...
Queria ter um jardim para que lançasses teus gritos de incertezas e inseguranças, e eu pudesse suprimir seu triste odor, convertendo-o em delicados aromas que poisassem em teus lábios...
Eu queria tão pouco, como apenas ter-te de novo, ao longe... mesmo em silêncio... mas convicto da pureza do meu amor...
domingo, 23 de maio de 2010
Talvez o teu coração um dia escute...
Posso falar... e estas palavras nunca chegarem a ti...
Mas preciso dizer-te que continuas a ser o dia-a-dia dos meus pensamentos e desejos.
És o amor eterno que, em mim, nada consegue vencer.
A vida leva de mim a tua voz, o teu corpo, a tua resposta... mas nunca apagará o teu nome de dentro de mim!
Nunca arrebatará o teu olhar, o teu toque, as tuas palavras que guardo como um colar de ouro.
A vida não tem força para apagar a esperança até que meus olhos deixem de ver e meu coração de bater...
EU SEMPRE TE AMAREI HELDER!
Mas preciso dizer-te que continuas a ser o dia-a-dia dos meus pensamentos e desejos.
És o amor eterno que, em mim, nada consegue vencer.
A vida leva de mim a tua voz, o teu corpo, a tua resposta... mas nunca apagará o teu nome de dentro de mim!
Nunca arrebatará o teu olhar, o teu toque, as tuas palavras que guardo como um colar de ouro.
A vida não tem força para apagar a esperança até que meus olhos deixem de ver e meu coração de bater...
EU SEMPRE TE AMAREI HELDER!
sábado, 15 de maio de 2010
Sonhos
Não há um sonho apenas…
Há milhares que se alinham em torno das minhas mãos…
Há brisas que os entrelaçam em nuvens perfumadas
E eu contemplo o intocável além da delicada emoção…
Não sou eu que os declamo ou renovo
Mas és tu…
Tu que trazes neles um sol escondido,
Um olhar temido,
Uma distância nunca estilhaçada no coração…
E, numa vénia que eu desdobro a cada anoitecer,
Espero a desventura de uma impossibilidade,
Um renascer…
Como a flor que apenas um raio de luz consegue desabrochar.
E se as faces enrugarem e os pés perderem a caminhada
O amor seguirá o trilho interrompido
E todo o oceano vertido
Voltará a cintilar numa alvorada eterna…
a eternidade em que reside o meu amor.
Há milhares que se alinham em torno das minhas mãos…
Há brisas que os entrelaçam em nuvens perfumadas
E eu contemplo o intocável além da delicada emoção…
Não sou eu que os declamo ou renovo
Mas és tu…
Tu que trazes neles um sol escondido,
Um olhar temido,
Uma distância nunca estilhaçada no coração…
E, numa vénia que eu desdobro a cada anoitecer,
Espero a desventura de uma impossibilidade,
Um renascer…
Como a flor que apenas um raio de luz consegue desabrochar.
E se as faces enrugarem e os pés perderem a caminhada
O amor seguirá o trilho interrompido
E todo o oceano vertido
Voltará a cintilar numa alvorada eterna…
a eternidade em que reside o meu amor.
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