É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sou quem fui







Sou a noite perdida sem Céu
Sou a insónia maldita que esfaqueia a voz...

Não sei a medida da dor…
Se dói por saudade
Se dói mais por amor
Se dói mais ainda a falta de ti em meu olhar,
Do teu toque em mim, virginal,
Que eu retenho imaculado em minha pele….

Não sei se magoa mais a vontade de correr rumo a ti
Rasgando as convenções e o tempo,
Ou então todas as vezes que tento
Fugir de tanta dor
E viver sublinhada pelo vazio incolor
Que é a tua ausência…

Eu não sei quem sou,
Só quem fui, e quem sustento dentro desse ser de outrora.

Vivo ali, naquele toque, naquele abraço,
No lençol branco amarrotado,
 No cálice quebrado que celebrou teu corpo dentro do meu.

Fiquei ali, no suor dos vidros embaciados,
Na declamação do teu nome suspirado,
No desejo que te reservei com exclusividade...

Sou reclusa de todos os meus desejos mais ardentes
Que recuso ao mundo
Retendo-os para ti num culto mágico transcendental
Cujos trilhos são secretamente intocáveis...
 
E a quem, por isso, me odiar, invejar, ou abominar,
Eu suporto e entendo sem sombras nem máscaras.
Porque nessa longanimidade eu tenho a paz
De amar quem te ama também...

Eu sou uma estrela cadente nas mãos de quem me aprender.
Sou a pérola na mão das pessoas que amo
Sem que se apercebam sequer...
Sou o perfume subtil
Que atenta a cada dor e a carrega sem revelar...

Hoje eu tenho lágrimas mananciais,
Não como as de tantos dias, hoje são mais…

Há dias assim…
Sinto-te
Como se apertasse em mim o teu peito,
Como se sentisse teus impulsos e suspiros,
Como se te escutando mesmo distante.

Mas apenas eu sei.
E o mundo seguirá surdo
Sem saber, jamais, que em mim arde a dor abismal de te amar.
Sem saber a dor que conservo em mim
porque não amar-te doeria muito mais...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Palete de uma retrospectiva


A vida é feita de passos e pausas sem que o tempo se altere enquanto passa.
Ler o ontem é delinear o hoje, descortinar o que está para além do visível, e alcançar o amanhã, ainda que desconhecido.
Eu encontro-te em todos os momentos que voaram e regressaram.
Em cada gesto, suspiro e verbo declamado, cada sorriso fértil e autenticado na alma...
Poderiam rugir os mares e verter-se a lua em lágrimas... que eu não acreditaria na inverosimilidade de todos os nossos instantes... não apagaria a tua voz renovando o voto do amor, nem a minha palpitação emudecida perante o teu corpo, nem todos os medos de menina que dissipaste em meus lábios, quando tremeste dentro de mim...
Poderiam mil gentes inundar a tela do meu sonho, falsificar a minha essência, borratar cada contorno do meu coração, ou ofuscar o brilho da minha alma... que mesmo assim... o meu espírito ficaria intacto, meu âmago continuaria a repetir o teu nome, as minhas mãos permaneceriam em busca das tuas e eu permaneço eu, tal como sou, fiel e translúcida para quem tiver a ousadia de me olhar com olhar puro e delicado...
Por vezes temo e lamento as dores com que me afogo por ser assim...
Condeno-me por justificar os erros do mundo, por suportar as afrontas calada, por deixar-me condenar por crimes que desconheço...
Mas maior seria a dor de ferir alguém com todas as armas que me são alcançáveis.
Assim... eu sou forte, em todas as minhas fragilidades, por saber que em nada sou a infelicidade de ninguém... apenas a minha...
Mas a minha dor é paz.
Porque sempre que sorrires eu sinto e sei que não sou lágrima em ti, porque eu carrego todas as lágrimas que te vi verter desde o momento primordial do amor que apelaste em mim nas letras gigantes que fizeste voar... dizendo compulsivamente... "AMO-TE, AMO-TE, AMO-TE..."
Foi assim que aprendi a AMAR-TE também.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Meu é o que eu souber fazer voar...



Eu sinto-te.
Tu sabes que sinto, que escuto e percebo.
Eu assisto às tuas noites de olhos fingidos em que não sabes adormecer.
Eu perco-me, dilacerada, nas entranhas dos teus pensamentos, de onde escuto a dor que assumiste ser maior que o imaginável.
Eu quero beber essa dor que é minha.
Tu sabes que sinto o teu respirar, como de um guerreiro desarmado que soluça embriagado num trilho perdido.
Tu sentes-me. E temes esse sentir que é ferida de asas que são nossas.
Porque há um voo suspenso no tempo que subsiste ao temporal.
Há um existir inexplicável que nos impele e perfura a alma.
Não é um recordar, nem uma saudade, não é uma fuga ou um anseio...
É uma firme angústia que disfarçamos com silêncios e fugas, infrutíferamente...
É aquele sorriso que lanças para ocultar a lágrima.
É a gargalhada que eu estilhaço para camuflar o degredo em que me torno, já incapaz de ocultar...
Temos um medo abismal de descortinar um sonho real, de desfazer todos os feitiços ignóbeis com que nos enleiam, de descobrir que, afinal, no cumprimento de todos os temores, o que sentimos é amor!
Mas vamos permanecer nestas grutas labirínticas em que a escuridão nos permitirá continuar a fugir errantes até que uma luz nos chame e prenda a si...
Rumo a um dia perfeito em que nos toquemos de novo, definitivamente, na mesma dimensão eterna com que se tocam as nossas almas.

Ai de quem te aprisiona, não sabendo que a alma é livre...
Triste é a consciência da felicidade que custou o preço da dor...
Fantasioso é o sorriso da vitória de uma batalha sem rei...
Então toda a luta foi em vão, quando se luta contra o amor.

Não há paz maior que é a da tranquilidade da consciência e da plena certeza de um perfeito amor.
Porque esse é eterno, imune aos temporais, ferido pelas pedras no caminho mas sempre restaurado na sua própria força.

Nada do que nos pertence se vai para sempre.
Nada é nosso quando o possuímos, mas sim quando, a todo o preço, damos-lhe asas para que possa sempre regressar...

Dreams