É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

domingo, 27 de junho de 2010

Pele Maldita





Pele que te arrepias em meu corpo...
Da-me a paz que almejo, o desencanto que preciso,
a desilusão que tanto procuro alimentar...
Não te ergas contra meus destinos,
não me perturbes com as lembranças de um sabor raro,
nem da voz de um príncipe encantado,
não me molhes de suor e desejo,
do prazer que almejo,
nem da água quente trazida por um olhar fulgente...
Em vez dessa tortura,
resgata-me da loucura,
e da-me a dormência profunda
anestesiando meus sentimentos para que petrifiquem algures num deserto.
Não me olhes assim...
não me eleves a nuvens brancas,
nem às estrelas que se calaram perante meu gemido,
não me permitas um abrigo...
Eu sempre soube não ser amada.
Eu aprendi a não esperar,
a não conhecer uma razão para acreditar...
Eu cresci ao lado do medo,
cresci em segredo
esquecida de mim
para poder ver alguém sorrir...
Aprendi a ser feliz num olhar sorridente que passasse por mim de soslaio,
nunca pedi ou esperei presentes, nem ambicionei ser uma noiva de maio.
Dei passos largos na conquista de outras alegrias,
e hoje eu sou apenas o que dos outros criei em mim...
Ninguém me conhece.
Ninguém.
Ninguém me viu nem me leu, nem nunca serei desvendada por quem quer que seja.
Nem a quem eu dei meus livros abertos, reconheceu as letras da minha essência.
Agora tu reclamas em fogo, pele maldita!
Reclamas lábios que não te posso conceder,
recusas caricias de outro alguém,
entorpeces-me com desejos lascivos,
gritas-me um nome que cravaste em teus poros...
Não suporto a febre com que me rasgas,
nem a fúria com que me arrancas gemidos...
Trago em ti um toque permanente que não permitirei violar,
tenho na tua textura o odor promiscuo do prazer
que ninguém ousará dissipar...
Fazes-me incandescente,
cruzar a noite em branco,
insuportavelmente...
Porque nunca aprendi a ter
o que melhor a prendi a dar,
o amor...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu sei o que é amar-te


Eu sei o que é sentir uma nuvem doce e perfumada preencher a alma.

Eu tenho no paladar as essências virginais de emoções que aguardam em ti um destino para se tornarem voz.

Fingi sorrisos onde as lágrimas corriam, e segredei aos oceanos que nunca revelassem meus infortúnios.

Dei passos na areia molhada, apenas com o olhar, sem forças para caminhar... mas projetando mãos dadas lado a lado, caladas, unidas por olhares que denunciam uma magia inigualável.
O mar também levou estas ilusões em segredo.

Resisti a cada golpe de espada desembainhada como se a ela fosse imune, como que amando-a, só por ela te mar também.

Aprendi a conviver com o esvoaçar dos teus braços sem plumas dispersas que me indiciassem o teu retorno, mas sempre te esperando, e ainda espero...

Bebi as tuas palavras soltas que trago ao peito num colar invisível cujo brilho ofusca quem passa sem que perceba o grau da sua pureza.

Eu partilho o meu dia-a-dia num monólogo delicado e cheio de sorrisos, que dentro de mim se estende num cenário idílico onde me escutas e me conheces, onde me olhas feliz e esquecido de um mundo glaciar que te rouba a paz...

Parei num momento de sonho e solicitei que me fizesse sua prisioneira.

Recebi em meu coração todas as princesas do teu reino, todas as afrontas converti em carícias, dissipei os seus ciúmes, e servi-lhes o mel da tua essência.

Abri os braços sobre o meu colo que te aguarda em cada retorno, porque eu sabia que nunca seriam partidas, mas apenas instantes que pedias ao tempo para saboreares a saudade...

E aqui estou, escondida, como sempre, nas palavras que nunca serão levadas por nenhum olhar, apenas suando gotas com o teu nome, porque em mim transborda como um Zambeze beijado pelos fins de tarde de Moçambique, o meu outro amor.

Eu sei olhar-te sem que sintas, sinto-te nos momentos em que a alma te aperta, em que te contens, em que ergues a cabeça para atropelar uma saudade, em cada anoitecer disfarçado de um sono que se chama pelo meu nome e teima em não estar.

Oiço-te em cada mentira com que te enganas, em cada verbo que implodes, em todos os suspiros com que sopras o meu rosto para longe...

Conheço as amarras que te vão dilacerando as mãos sem que percebas, alcanço o círculo que te encerra, aprisionado, e fecho os olhos para não ler o teu olhar perdido.

Hoje eu sei que não quero medir o mar.
Quero continuar a olha-lo como a gota de água que dista meu pensamento de ti, meu olhar e a tua imagem, meu sentimento da tua existência.

Amar sim, como quem alimenta um jardim, sem que ninguém passeie por ele, virginal, aguardando... na longanimidade que o amor permite exercer, mesmo nas incertezas de uma chegada que pode nunca acontecer...
Mas esse campo de flores e frutos levará através dos tempos, os aromas e manjares que alguém ousou sonhar...

Amar não é ilusão.
É fé espontânea.
É sentir, estranhamente, um chão seguro mesmo em meio a turbulentas bofetadas da vida.
É quase uma certeza sem provas de que as almas se completam mesmo que as mãos não se toquem, nem as vozes se cruzem ou nunca os corpos se deliciem.

O amar é um estado delicado mas inabalável da alma, que deixa rastos invisíveis, perfumes que toda a gente sente no ar, e que se protege com a autenticidade, como muralhas de um castelo de diamante... de portais abertos a quem queira respeitar e ser cúmplice desse universo tão único...

Eu sei amar. Eu sei sorrir sobre um beijo trocado, sei beijar teus olhos só de os recordar, sei repetir em meus ouvidos a tua voz quando me disseste que todos os dias pensavas em mim, sou capaz de me alimentar com tua declamação de prazer quando teu corpo tremeu.

Eu amo o encanto do sonho que não me frustra nunca vir a ser real.
Eu não amo uma ilusão nem uma improbabilidade.
Eu amo porque no simples ato de amar sou feliz.
Eu amo uma existência que és tu.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Hoje





Hoje sou a mesma flauta que geme o teu nome e que se abstrai do tempo para que não saiba a medida da dor da ausência e da distância.
Hoje o dia só tem uma cor, tão translúcida quanto a água, para que o teu rosto nunca se esfume entre o espectro de um arco-íris que insista rasgar a neblina.
Hoje eu não peço nada, como nunca pedi...
Hoje o dia pertence-me mas eu continuo a não ser minha.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Contendo a alma...

Hoje, como todos os dias...
Mas, mais hoje e alguns outros, eu desfaleço totalmente.
Hoje eu sinto necessidade de gritar o teu nome sem medo,
de te chamar, te declamar palavras que não consegui dizer...
Queria ver-te ao longe passar, simplesmente...
E eu então, como sempre,
olhar-te-ia com silêncio para que não percebesses...
beijava-te os olhos só de te desejar,
arrebatava-te em meu corpo só por te sonhar...
Hoje há dentro de mim um oceano contido de lágrimas e de sonhos,
há chama e poesia,
há um torpedo que me estilhaça em saudades.
Há um eterno delírio qual diamante incontornável,
insolúvel,
invencível,
que me angustia e desgasta,
que me corrói e mata lentamente.
O fôlego fecha-se em mim sem solicitar,
mas eu permaneço estática, imóvel,
inerte,
fracassada.
Mas seria maior a dor de te esquecer!
Não permito à alma nem ao corpo,
apagar o odor dos teus poros,
o fluido do teu salivar em meus lábios, seios, sexo...
Não apagarei os trilhos do teu desejo
nem as longas estradas da tua voz.
Beberei de ti as gotas que em mim plantaste,
o manancial que rasgaste em meu coração,
a falésia da distância que vencemos em cada orgasmo.
Quero conservar as noites vazias sem ti,
são melhores do que te apagar.
Quero chorar a minha sorte
porque nela sou mais feliz do que se a anulasse dentro de mim.
Vou escrever os meus sonhos,
ensinar ao universo
como se sonha verdadeiramente,
sem obcessão nem fugas,
sem medos...
apenas fundados nos alicerces do amor.
Em paz e serenidade,
em esperança e paciência inesgotáveis,
em benignidade e mansidão,
tudo suportando,
com fé,
temperando as lágrimas com as doces recordações,
e viver a realidade
como se as nuvens estivessem debaixo dos pés,
como se nas mãos poisassem pombas brancas,
como se amanhã, finalmente,
haja um toque de magia.
Assim se espera o amor eternamente.
Mesmo sem pressas nem ansiedade,
sem exigências ou contornos obscuros e malévolos...
Quem ama aguarda as horas certas,
aguarda o dia que pode não vir,
espera na janela do tempo,
segue as linhas dos dias que já se foram
e sente que o que passou não foi tempo perdido,
foi tempo que aproximou mais um amanhã...
Há sempre um amanhã para chegar...
O olhar de quem ama nunca se distancia desse amanhã,
porque nele reside o baú dos sonhos que estão por vir.
Hoje eu grito o teu nome dentro de mim
porque amanhã eu sei que posso não ter voz,
porque assim as árvores me ouvirão
e o mar poderá gritar por mim
a eternidade de um sentimento que os lábios não tiveram tempo de declamar...

Dreams