É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

ENLOUQUECI




Enlouqueci.
Quem sou eu para te contar meus pensamentos e ilusões?
Que atrevimento o meu te expor assim uma fantasia apenas minha?
Como fui capaz desta loucura impensada num impulso que eu não soube controlar?
Não sou ninguém para dizer que me amas, que tenho certezas, nem sequer definir o que sou para ti.
Não sou eu. Esta não sou eu a falar.
Foi a minha insensatez.
Eu não sou assim.
Eu contenho tudo em mim, escondo o meu mundo e hoje despi-me lentamente, deixando tudo iminente à descoberta inevitável.
Estou fora de mim.
Como ousei?
Não tenho sequer o direito de chegar a ti, de procurar migalhas que te denunciem.
Mas eu vi, sem querer, sem esperar, sem contar, eu vi!
Vi de novo aquela torrente de palavras que um dia foram para mim e permanecem.
Reconheci-te em um ou outro desabafo, vi-me ali, nas tuas linhas, escondida como uma pérola que jamais se esquece.
Senti-me assim, o ser mais maravilhoso que já conheceste, como declaras.
Estremeci e chorei ininterruptamente, de tal forma que não fui capaz de continuar a ler.
Guardei cada pedacinho para voltar mais tarde, com mais serenidadde.
Procurei te reler sob o manto da razão, da consciência da realidade, tentando ignorar a minha alma naquelas palavras. Foi impossível.
Eu sei, é tudo fruto dos meus anseios, apenas isso.
Mas hoje eu enlouqueci e rompi o véu que resguardava este meu pensar, este meu sonho, esta minha ilusão.
Só posso estar louca.
Tenho que me recompor.
Tenho que continuar a reter este amor só meu sem requerer nada de ninguém.
Tenho que voltar a ser eu mesma, à parte desta tão grande loucura que hoje me deu.
Como vou apagar?
Como vou enterrar as minhas últimas declarações?
Perdoa-me.
Resta-me apelar para que esqueças e nunca mais permitir-me tal sandice.
Enlouqueci mesmo.



sábado, 10 de janeiro de 2009

Hoje para ti...





Hoje me entreguei a ti, só eu sei.
Hoje dei o dia aos meus pensamentos, deixando-os voar e brincar em meu corpo.
Ordenei o teu olhar entre o meu desejo, percorrendo meu corpo e alma.
Recordei em meus arrepios e emoções os teus movimentos mais imperceptíveis.
Carreguei as memórias reavivando cada instante teu em minha pele. Cada palavra e suspiro, cada sopro do teu bafo e cada gota de suor.
Perfumei minha saudade com o doce sabor do teu sêmen em meus lábios, teu sexo em minha língua sedenta de amor, como nunca houvera antes provado.
Mas tu não sabes, não saberás que foste o primeiro a conhecer meu fogo tal qual ele é.
Nunca saberás que foi a primeira vez que disse sem hesitação amar alguém, olhos nos olhos, face a face, mãos entrelaçadas, coração aberto. Não eras um estranho, eras simplesmente o sonho tornado real, de tanto que, em silêncio, treinei esses vocábulos de ouro, facilmente os reproduzi sem medo. Sem o medo que sempre tive de declarar meus sentimentos a quem quer que fosse. De repente fui eu própria, ali, diante de ti pela primeira vez, a milímetros do teu doce olhar, no calor do teu corpo meigo e querido, tão desejado por mim.
Hoje apenas me entreguei. quis chorar e rir, recordar e sonhar, ter esperança e iludir meus dias, mais propriamente, transbordar de ti.




Molhei o meu corpo fingindo teu suor, tua saliva, teus fluidos mesclados em mim.
Deixei que a ilusão me fizesse sentir teu desejo incontrolável, teu amor louco e apaixonado, tua rendição ao meu amor e fogo, tuas investidas dentro de mim, teu doce e envolvente carinho.
Senti-te tão intensamente quanto o sol que poisa na pele e a marca para sempre.
Convidei-te a um banquete de sensações e deixei-te olhar-me soletrar o teu nome. O nome que gemo e grito no meu orgasmo mais intenso.
Chamei-te para penetrares a minha alma e o meu coração. Sentiste?
Sentiste a minha voz e o meu desespero por ti?
Sentiste o amargo fel da distância adocicado pela intensidade do amor que nos prende a aprisiona um ao outro?
Quando choro é quando te tenho, é quando sinto tuas lágrimas também. Eu sei, não foges de mim, foges da dor que eu sou em ti, foges de provocar a dor em mim, mas voltas, voltas pela força indomável da saudade que controlas nas euforias e nas ocupações, em outros braços. Mas até esses Lêem o meu nome em teu pensamento mais constante, sentem-me em ti sem saberem quem eu sou.
Também eu te tenho cada vez que sou tocada, o que vou evitando cada vez mais.
Hoje eu não pensei nas impossibilidades.
Hoje não houve espaço para a infelicidade de não te ter.
Hoje foi apenas um dia maior, magnífico e excelente em que, simplesmente, fui eu para ti.


sábado, 3 de janeiro de 2009

Vertigem de um dia de dor.




Traçadas estão as linhas das minhas fontes quentes e abundantes.
Desconheces os termos dos meus valados onde escorrem sonhos.
Onde as brechas de terra seca se embebedam de um fel adocicado.
E eu, imóvel, deixo-as ir, despedindo-as, as gotas do meu pranto.
Nunca outrora nem jamais num futuro inacabado morrerás em mim.
Colhi-te no meu olhar insano e sedento de palavras e gestos de amor.
De repente me assolou a vertigem da tua dor e desejei ser teu alento eterno.
Eu te olhei no primeiro instante e o mundo continuou igual, menos eu.
Reconheci a alma que sonhara vezes sem conta e julgava irreal.
Meu coração dilatou, meus fluidos conquistaram meu corpo loucamente.
Esqueci de quem sou para ser quem sente outro alguém dentro de si.
Eras tu. Chegavas com teus mantos de poesia e me embrulhavas.
Perante os olhares tímidos do mar e entre brisas me aquecias por magia.
Caíam estrelas e meus desejos choviam em meus braços sedentos dos teus.
As horas cravaram em mim a urgência de te ver, ter, amar.
Movi o mundo e enfim tu, afinal, te tornaste real em meus lábios, secretamente.
Sem conseguir te olhar me ofuscavas com o amor que emanava de nós dois.
Fomos a perfeita emoção sem toque, a explosão invisível em que o sonho tocou a realidade.
Eu perdi a minha origem, esqueci quem sou para me tornar quem queria ser. Tua.
Numa leve folha do tempo tudo se escreveu, uma história que o mundo não conheceu.
Um dia será lida pelas gerações, deixará de ser segredo, ilusão ou impossibilidade.
Mas hoje ainda se escrevem cravos nas mãos que estremecem procurando as tuas.
Hoje a lua se escondeu porque não me podia escutar, despediria para sempre o seu brilho.
Caem meus lábios ressequidos entreabertos revivendo cada beijo suavemente depositado pelos teus.
Oh como é doce algodão teu carinho e emoção, teu olhar terno e calado dizendo tudo.
Oiço-te e falo-te todos os dias na esperança de leres apenas meus desejos e nunca meus anseios.
Acordo e olho para o lado de olhos fechados conseguindo alcançar teu corpo aquecido no meu.
Estarei louca e obcecada, desvairada ou simplesmente amando e um modo perfeito e puro?
Se fosse louca te absorveria num egoísmo desmedido e repudiante, na perseguição doentia.
Se fosse obcecada te tiraria até o ar que respiras, a água que bebes, a voz com que não me presenteias.
Se desvairada não te esperaria no infinito de cada dia, nos termos das minhas saudades, na paciência de querer-te sem hesitação.
Amo-te no gerúndio, amando-te, partilhando meu sono e meu acordar, meus desabafos e as coisas mais simples do dia.
Amo-te quando me sento à mesa e imagino a tua doce presença.
Amo-te quando respeito teus silêncios que ardem dentro de mim, certa de que são a cura dos teus medos.
Amo-te quando me dói seres tão amado por quem não amas, mesmo que lhes declares paixão.
Amo-te por sentir o peso de tuas lágrimas, quase adivinhando quando estás a chorar, como há dias aconteceu e eu senti, ouvi-te mas me calei.
Amo-te além do que eu pensaria ser possível algum dia acontecer, além do que eu pensava existir.
Amo-te tanto que não quero morrer, agarrada à esperança de um dia regressar ao teu corpo, tua pele, teu beijo, teu sexo.
Porque afinal, em tua alma eu já estou e tu na minha.
Podemos correr o mundo e as constelações, acorrentarmo-nos a um engano ou ilusão, mas jamais poderemos anular este nosso amor eterno.


Sereia

Dreams