
Enlouqueci.
Quem sou eu para te contar meus pensamentos e ilusões?
Que atrevimento o meu te expor assim uma fantasia apenas minha?
Como fui capaz desta loucura impensada num impulso que eu não soube controlar?
Não sou ninguém para dizer que me amas, que tenho certezas, nem sequer definir o que sou para ti.
Não sou eu. Esta não sou eu a falar.
Foi a minha insensatez.
Eu não sou assim.
Eu contenho tudo em mim, escondo o meu mundo e hoje despi-me lentamente, deixando tudo iminente à descoberta inevitável.
Estou fora de mim.
Como ousei?
Não tenho sequer o direito de chegar a ti, de procurar migalhas que te denunciem.
Mas eu vi, sem querer, sem esperar, sem contar, eu vi!
Vi de novo aquela torrente de palavras que um dia foram para mim e permanecem.
Reconheci-te em um ou outro desabafo, vi-me ali, nas tuas linhas, escondida como uma pérola que jamais se esquece.
Senti-me assim, o ser mais maravilhoso que já conheceste, como declaras.
Estremeci e chorei ininterruptamente, de tal forma que não fui capaz de continuar a ler.
Guardei cada pedacinho para voltar mais tarde, com mais serenidadde.
Procurei te reler sob o manto da razão, da consciência da realidade, tentando ignorar a minha alma naquelas palavras. Foi impossível.
Eu sei, é tudo fruto dos meus anseios, apenas isso.
Mas hoje eu enlouqueci e rompi o véu que resguardava este meu pensar, este meu sonho, esta minha ilusão.
Só posso estar louca.
Tenho que me recompor.
Tenho que continuar a reter este amor só meu sem requerer nada de ninguém.
Tenho que voltar a ser eu mesma, à parte desta tão grande loucura que hoje me deu.
Como vou apagar?
Como vou enterrar as minhas últimas declarações?
Perdoa-me.
Resta-me apelar para que esqueças e nunca mais permitir-me tal sandice.
Enlouqueci mesmo.









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