É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A sina

A noite sonamboleia
e eu vagueio na suspeita de um olhar perdido cujas pálpebras não se rendem ao sonho.
Fico aqui presa aos contornos do teu rosto,
ao delinear de teus lábios espevitados,
aos pelos que descem o teu queixo,
e ao soslaio do teu olhar matreiro que me inebria.
Apago as luzes e cerro todas as frinchas
mas mesmo assim o teu rosto se ilumina na minha lucidez.
Então hoje, particularmente,
devolvo-me ao dia primordial como se intemporal...
Lembro teu rosto descaído,
teu silêncio dorido,
tua voz flácida desnutrida...
revejo aquele gesto tão simples
com que erguias os dedos para amparar mais uma lágrima
que tentavas disfarçar.
Eu sentia sufocar a ansiedade de te soprar uma brisa de felicidade
a um estranho,
a um ser distante que eu desconhecia,
a um rosto que dava cor aos poemas que os meus olhos beberam sofregamente.
Não eras só uma presença,
eras o que eu não adivinhava,
aquele que eu temia perder sem saber,
sem ter...
Lembro o tempo passar em silêncio
e eu apenas te pedia um sorriso que disfarçasse a tua dor.
Lembro que me doeu também uma dor que não era minha,
sem porquê... apenas desejei carrega-la contigo para te aliviar...
A noite foi passando, como esta agora,
em que reproduzo teus pequenos gestos,
em que registo aquele erguer lento do teu rosto
até que o teu olhar poisasse em mim
e sorriste por fim.
Eu sabia que sorrias por mim e não por ti,
querias apenas resguardar-me do teu sofrimento...
Mas não conseguiste, lamento...
Então eu também sorri para que enfim acreditasses
e nesse momento o teu sorriso passou a verdadeiro por instantes.
Nunca requeri uma explicação.
Porque o faria?
Compreender é um acto voluntário que não depende de confissões mas apenas de acreditar, e eu limitei-me a acreditar em ti sem questionar.
Quem não precisa de alguém que simplesmente acredite?
Eu preciso, e toda a gente precisa...
Aquele desfilar de horas partilhadas enquanto acompanhei tuas lágrimas até ao fim, tornou-se a sina dos meus dias, o marcar de uma nova era, um outro lado do meu viver nasceu... nas tuas mãos.
Poucos dias depois eram incontidas as tuas palavras tão loucas quanto verdadeiras e profundas.
Falavas como se de dentro de ti tivesse nascid um novo rio de águas límpidas e encantadas.
Assim encantaste-me e suplicaste... oh como suplicaste tão ardentemente... que eu tivesse coragem de sentir o quanto me amavas.... suplicaste que eu tivesse a ousadia de ler em mim o brotar desse amor também!
E assim foi.
Nasci no teu melhor poema, de um verso apenas, quando sem voz me gritaste em letras gigantes...
repetidamente....
e de novo...
e novamente...
AMO-TE
AMO-TE
AMO-TE
AMO-TE
...

E eu...
passei a AMAR-TE eternamente!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Gravei-te meu destino

Olho-te sem esconder a profundeza de toda as minhas lágrimas,
sem a timidez e o nervosismo perante o teu corpo,
sem o medo de falhar em qualquer gesto para que tudo seja perfeito.
Olho o teu rosto que tenho desenhado nas palmas das minhas mãos...
Os contornos que memorizei nos meus dedos,
 A boca que me inebriou,
O sabor que conservo nos meus lábios...

Olho-te secretamente.
Vejo teu sorriso discreto, teus lábios apertados,
teus olhos de soslaio,
Teu respirar,
O teu sussurro,
tua língua em meu ouvido,
tuas mãos perdidas em mim...

Vejo também teu coração perdido,
sinto a palpitação monótona dos dias,
sinto um ardor que me queima,
pelo pavor de acreditar
que te pressinto,
que o que sinto é real...
Mas doi tanto que corta,
rouba-me as forças,
faz-me enfraquecer cada dia.

Como é estranho o que sinto meu Deus!
Como custa este labirintoem que fujo de mim.
Em que vou de encontro a estas sensações,
em que sinto uma dor do lado de lá  do mar...

Resgata-me Deus!
Não quero esta angústia infundada.
Não quero este abismo de um amor impossível.
Não quero recordar o beijo, o suor, a ansiedade, os encontros...
Não quero chorar nem declamar poemas de amor em vão.
Não quero ser eu!
Apaga-me de mim!
Leva-me em qualquer navio que me diste deste sofrimento.
Dilacera as correntes que me aprisionam a uma eternidade de amor e dor.
Faz-me desmaiar para sempre,
Apaga este meu destino cruel em que eu sou o nome que gravei na alma: Helder.

Dreams