É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

terça-feira, 20 de julho de 2010

Doce ilusão amarga




Noutro tempo era fácil.
Tão fácil desacreditar de sonhos porque eram apenas sonhos...
Era tão certo o amor nunca chegar.
Era tão simples fugir de mãos e de lábios, na inocência que abrilhantava a vida.
Não havia esperas nem desilusões.
Haviam suspiros apenas, dobrados em recordações principescas sem mácula.
Nada descia à dimensão do instante toque, da fragrância na pele, do olhar flamejante.
Até um dia!
Uma doce ilusão rasgou o véu e entronizou-se na alma.
Absorveu o espaço e o tempo visível e invisível.
Cresceu.
Preencheu tudo numa invasão de flores e frutos, de versos e beijos, de aromas e paladares...
Sugou o tempo de outrora, acordou as pálpebras dormentes, e desenhou arrepios vulcânicos que arrebataram todos os sentidos de uma só vez.
Sem querer, sem saber, sem ter tempo de pensar ou retroceder, tornou-se imperativo acreditar!
Acreditar na descida de um sonho poema que agora tinha mãos e rosto, voz e fôlego, magia em toda a sua chegada...
Foi árduo o percurso da consciência.
Sim era possível o amor chegar!
Chegou sem pré aviso, sem sinais de fumo nem tapetes de carmesim.
Apenas chegou montado em letras ardentes, em apelos de sol e labaredas de magia que me transpunham para uma nova dimensão.
Levitacional encanto que me depôs de todas as minhas defesas.
Larguei a espada e o escudo, despi a armadura de um mundo singelo, para emigrar em braços que prometeram a eternidade.
A dor cresceu.
Entre o sonho e o real cresceram anseios e falésias que nunca romperam o véu extenso dessa ilusão.
Ainda hoje ela é doce e amarga.
Ainda cresce, viciadamente, não obstante os rasgos desferidos.
Ela é semente, é paixão dormente, é anestésico de todos os infortúnios da vida.
Mas ela mesma é o maior de todos os amargos poemas.
Uma doce ilusão amargurada pelos dias,
que se atreve a sobreviver
como quem renasce a cada instante
de um depósito de cinzas
tornando-o em cristal límpido e resistente,
tão forte quanto o amor tornou possível.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Sem ar

Falta-me o ar...
Meu rosto descai e escorre entre as mãos ressequidas,
como se tudo fosse fundido pelo tempo.
Hoje não vivo,
sobrevivo apenas por uma razão que ontem existiu...
em que eu existi.
A noite não me pertence
porque deleguei meus sonos a quem os dominou.
Aprendi a não voar
e recolhi as pétalas outrora estendidas
para que não se encantem nenhuma vez mais...
Nunca mais haverá orvalho em meu colo endurecido,
nem as manhãs terão poiso para seus raios de sol.
Este regaço não é meu
é de quem o tomou como embalo
e levou todas as carícias aveludadas
que jamais ousei dar a conhecer a outro alguém.
Falta-me o chão.
Falta-me a água da fonte,
a sombra de refúgio,
a voz melodia, meu elixir...
Falta-me um tanto que é tão pouco
na imensidão de um ser que me completou.
Agora não sei respirar,
nem caminhar,
se não de olhos postos na perícia dos seus encantos...
Amei
E amarei... sempre em segredo... mais que tudo...
para que consiga continuar a sobreviver...

Lá longe ... o segredo




Aprende-se.
Passos cansados em chão molhado e triste.
Caminha-se por desnivelados pedregulhos,
rasga-se pele e sua-se... mais um adiante...
Nem o olhar se ergue para não divagar,
porque o chão é lento e assim leva mais tempo a passar...
Demora-se a deixar um ontem de prazer e sonho.
Carregam-se voz e palavras, poemas e olhares
sem que os ombros se atrevam a permitir repousar.
Assim se segue menos triste, menos silenciosamente,
menos vazia...
Mas consegue-se, de alguma forma,
amar secretamente.
Sem que os ventos dissipem os farrapos,
sem que o sol desgaste os beijos trocados,
sem que a chuva lave o odor do prazer desenhado.
Lá longe...
chega-se à cabana abandonada,
ao abrigo ignóbil
que ninguém ousa desconfiar...
e é paz sem dúvidas,
é delicia entre os seios
quando os olhos desmaiam
para dar lugar ao devaneio perpétuo.
A caminhada ardilosa nos valados da desilusão
desagua num destino anestesiado
onde o segredo se mantém,
o que só eu sei,
o elixir que me faz resistir...
...viver...
uma única existência que nenhum dia saberá apagar...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Quem ama espera...




Quem ama não morre...
Vai morrendo...
Chega-se a sentir o cheiro da terra sobre a pele, chega a arder pelas lágrimas que faltam, os lábios gretam na tentativa de uma devoção imaculada.
Depois, algures, uma madrugada orvalhada trás restauro nas pinceladas das recordações mágicas... e um sorriso enfraquecido se esboça na boca, apelando à voz que declame uma vez mais o nome que teima lacrar em segredo.
Mas, entre sorrisos mais desmaiados e gélidas noites sem luar, o corpo levita, ausente, a alma vagueia e os olhos vão-se fechando porque já o brilho do mar se esbate lentamente...
Mas não se morre... vai-se morrendo...
Não se morre porque há sempre, supostamente, um amanhã, algures... que talvez possa nascer...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Hurts so bad... this emptyness


Querido Oceano das minhas Ilusões...
Leva meu destino e meu fôlego,
devolve-me ao pó,
ao silêncio,
a um nada...frio e inerte...
Já nada tenho para dar
nem nada que possa, alguém, resgatar.
Já não sou eu que falo ou escrevo...
Quase me desconheço
a não ser nas palavras acomodadas de outros dias em que eu existi.
Dói demais este vazio.
Não quero senti-lo,
nem consigo afasta-lo porque é um vácuo que me preenche de nada...
E desse abismo sou sobrevivente enquanto não me levares daqui...
Hurts so bad...this emptyness...

Um hoje que é sempre assim...


Tenho a cabeça pesada,
uma vontade de nada,
uma esfera que roda sem destino,
empurrada por um vento forte sem que lhe resista.
Dores de parto, gestação de medos,
um não estar onde estou,
uma ausência de alma onde o corpo poisa,
não estou cá dentro.
Vagueio nas horas sem que elas me fujam,
ansiedade crescente, felina,
uma explosão permanente,
uma lava que escorre sem contenção...
Estou em fusão.
Arranco a vida dos caminhos diante de meus pés,
diluo os trilhos traçados, as vozes que se erguem,
apago os vestígios que não quero dissipar.
Sim, arranco-os a ferros sem querer perde-los.
Preciso forçar a paz,
submeter a tranquilidade às minhas mãos,
sem que se disfarcem as marcas
desse corpo que sonho,
dessa boca que me faz febril,
dessa voz que oiço sobreposta a todos os sons.
Declamo a minha loucura, sobriamente.
Nada é mais loucura que aquela que é consciente,
em que me tomo pela mão e me entrego
às cadeias invisíveis do amor,
sem que seja um horizonte para mim.
Mas estou preparada, treinada,
apta para amar silenciosamente,
sem respirar
para que os ventos não levem nem dissipem meus perfumes,
para que ninguém saiba...
o quanto o meu amor cresceu na penumbra da tua existência,
debaixo dos teus pés,
desejando-te secretamente a felicidade que não ousei alcançar.
Apenas as palavras me aliviam,
regadas por lágrimas em terras férteis,
de onde se erguem todas as impossibilidades
vencidas por um momento
que o amor fertilizou para sempre.
Quem ama destila néctar de saudades,
rompe oceanos com a voz,
rasga céus com asas de sonho,
alcança, mesmo que tenha de vestir humildade,
vence o orgulho e esquece a vida,
porque nem sempre há um amanhã,
e a vida foge sem que o sorriso conheça a madrugada orvalhada
de um beijo longo e orgásmico
que vence todas as dores,
apagando-as sem rasto.
Apenas um beijo
um toque leve de lábios ardendo de amor e paixão,
converte dois corpos amantes
num enlace frutífero de sabores intensos
capazes de se fundirem num só.
Aí sim, voltarei a mim.

Maldita!





Onde estás com teu corpo e teu fôlego?
Senti a noite rachar ressequida, sedenta...
tombando pedaços de céu enegrecido sobre meu leito triste.
Maldita noite que me arrancou pele e voz,
malditos gritos que o mar em mim desferiu,
soletrando teu nome como trovoadas incessantes!
Eu sou um rochedo que o sal corrói,
trago a gélida amargura de uma saudade que me faz desmaiar,
eu sinto esta parte de mim faltar,
falta-me este bafo quente dos lábios que me arrepiam os sentidos...
Eu mato-te noite!
Eu vou empurrar-te nos sonos que não vou cumprir em ti
para que não me venças em tormenta...
Oh como dói!
Dói tanto!
Dói.......
Como se uma caixa se fechasse em mim lentamente,
perco a razão e desfaleço... vou desfalecendo...
Tenho pressa de sucumbir e parece tudo tardar.
Não vale a pena reinventar mais gestos,
nem projetar lábios entrelaçados sob águas quentes que escorrem em nossos corpos.
Ah que saudade dos reflexos,
dos cálices e das caricias, dos sabores intensos,
da ansiedade acumulada, da tensão mesclada com o desejo,
do nervosismo perante o ser amado,
como quem parte na descoberta de um novo mundo encantado.
Noite amarga,
o que recordo com sorriso profundo de alma,
tu convertes em lágrima que não estanca...
Vou condenar-te com minhas insónias,
vou apagar-te, noite! Eu juro.
Vou expulsar-te dos meus sonhos de beira-mar,
libertar-me do teu luar,
aquele em que os vidros molhados e o suor vertido
me deram verbos eternos
que jamais se apagarão em mim...
São todos meus esses momentos.
Todos meus!
Noite maldita,
pensas que tens o poder de todos os feitiços
mas o raiar da manhã é o meu alento,
porque tenho pressa nos dias,
pressa de me ir,
pressa de acordar
num outro lugar...
sem noites amaldiçoadas.

Dreams