Falta-me o ar...
Meu rosto descai e escorre entre as mãos ressequidas,
como se tudo fosse fundido pelo tempo.
Hoje não vivo,
sobrevivo apenas por uma razão que ontem existiu...
em que eu existi.
A noite não me pertence
porque deleguei meus sonos a quem os dominou.
Aprendi a não voar
e recolhi as pétalas outrora estendidas
para que não se encantem nenhuma vez mais...
Nunca mais haverá orvalho em meu colo endurecido,
nem as manhãs terão poiso para seus raios de sol.
Este regaço não é meu
é de quem o tomou como embalo
e levou todas as carícias aveludadas
que jamais ousei dar a conhecer a outro alguém.
Falta-me o chão.
Falta-me a água da fonte,
a sombra de refúgio,
a voz melodia, meu elixir...
Falta-me um tanto que é tão pouco
na imensidão de um ser que me completou.
Agora não sei respirar,
nem caminhar,
se não de olhos postos na perícia dos seus encantos...
Amei
E amarei... sempre em segredo... mais que tudo...
para que consiga continuar a sobreviver...









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