É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Maldita!





Onde estás com teu corpo e teu fôlego?
Senti a noite rachar ressequida, sedenta...
tombando pedaços de céu enegrecido sobre meu leito triste.
Maldita noite que me arrancou pele e voz,
malditos gritos que o mar em mim desferiu,
soletrando teu nome como trovoadas incessantes!
Eu sou um rochedo que o sal corrói,
trago a gélida amargura de uma saudade que me faz desmaiar,
eu sinto esta parte de mim faltar,
falta-me este bafo quente dos lábios que me arrepiam os sentidos...
Eu mato-te noite!
Eu vou empurrar-te nos sonos que não vou cumprir em ti
para que não me venças em tormenta...
Oh como dói!
Dói tanto!
Dói.......
Como se uma caixa se fechasse em mim lentamente,
perco a razão e desfaleço... vou desfalecendo...
Tenho pressa de sucumbir e parece tudo tardar.
Não vale a pena reinventar mais gestos,
nem projetar lábios entrelaçados sob águas quentes que escorrem em nossos corpos.
Ah que saudade dos reflexos,
dos cálices e das caricias, dos sabores intensos,
da ansiedade acumulada, da tensão mesclada com o desejo,
do nervosismo perante o ser amado,
como quem parte na descoberta de um novo mundo encantado.
Noite amarga,
o que recordo com sorriso profundo de alma,
tu convertes em lágrima que não estanca...
Vou condenar-te com minhas insónias,
vou apagar-te, noite! Eu juro.
Vou expulsar-te dos meus sonhos de beira-mar,
libertar-me do teu luar,
aquele em que os vidros molhados e o suor vertido
me deram verbos eternos
que jamais se apagarão em mim...
São todos meus esses momentos.
Todos meus!
Noite maldita,
pensas que tens o poder de todos os feitiços
mas o raiar da manhã é o meu alento,
porque tenho pressa nos dias,
pressa de me ir,
pressa de acordar
num outro lugar...
sem noites amaldiçoadas.

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