
Aprende-se.
Passos cansados em chão molhado e triste.
Caminha-se por desnivelados pedregulhos,
rasga-se pele e sua-se... mais um adiante...
Nem o olhar se ergue para não divagar,
porque o chão é lento e assim leva mais tempo a passar...
Demora-se a deixar um ontem de prazer e sonho.
Carregam-se voz e palavras, poemas e olhares
sem que os ombros se atrevam a permitir repousar.
Assim se segue menos triste, menos silenciosamente,
menos vazia...
Mas consegue-se, de alguma forma,
amar secretamente.
Sem que os ventos dissipem os farrapos,
sem que o sol desgaste os beijos trocados,
sem que a chuva lave o odor do prazer desenhado.
Lá longe...
chega-se à cabana abandonada,
ao abrigo ignóbil
que ninguém ousa desconfiar...
e é paz sem dúvidas,
é delicia entre os seios
quando os olhos desmaiam
para dar lugar ao devaneio perpétuo.
A caminhada ardilosa nos valados da desilusão
desagua num destino anestesiado
onde o segredo se mantém,
o que só eu sei,
o elixir que me faz resistir...
...viver...
uma única existência que nenhum dia saberá apagar...









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