É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ao pó









Cessei os anseios,
selei as comportas do magma,
arrepiei os sentidos e arranquei-os.
Subtraí os olhos e amputei a voz,
ensanguentei a minha foz
para que as águas parassem de correr...
As comportas do sonho serraram-se diante de mim
enquanto batia quase inaudível, a morrer...
As vestes perecíveis resistem mais que a alma,
que se engana com a calma,
estranhamente, numa tormenta que se avoluma...
Eu sinto-te chegar cavado
na ânsia de me deglutir,
no espasmo de todos os meus segredos,
na vingança das tuas marés,
na imensidão que és,
na pequenez a que me reduzes,
náufraga de todos os sonhos...
Chamei-te feroz
para me arrastares aos teus confins,
e vou solenemente
como quem não sente,
como quem não existe,
como quem nem vai triste
porque não é ninguém...
Busquei-te, outrora, no teu azul brilhante,
nas tuas espumas saltitantes,
na tua canção que me acalentou.
Despedia-te na noite
entregando-te às tuas águas,
mas hoje venho a ti destemida,
venho para nunca mais uma despedida,
espero a teus pés o destino,
o teu abraço felino,
a tua pior tempestade,
a violência com que me vais esbofetear
com as mesmas ondas com que me beijavas,
na mesma cor com que me trazias sonhos,
no mesmo encantamento...
Agora é o teu tempo!
O tempo de ser tua sem regresso,
de esquecer quem fui,
de não ser outro alguém,
apagar o nome,
desfazer a carne,
diluir a existência...
Mar...
Faz-me voltar ao pó.

Dreams