Cada dia que o teu sorriso me olha,
cada raro instante da tua presença,
sempre que em mim tuas pegadas se molham,
leio regresso, retorno de ausência...
Teu beijo silencioso deixado,
depositado nos anais da minha história,
é doce e suave, apaixonado,
uma linda memória...
És Poeta, és romance, és prazer...
Tanto para dar, porque precisas receber!
Em tua mesa depositas tuas paixões,
as delicias que ofereces, as ilusões...
Os sonhos que te sugam energias
e de novo as repõem...
Bebes o cálice do amor e desmaias
conscientemente enlouqueces...
Quem te dera amar mil anos
mil mulheres, mil paixões que não esqueces...
Perco-me nesse banquete profano,
olho e meu lugar se esvai...
como se vão as minhas forças para resistir...
Resistir ao ciúme, à distância, à tua sombra que vai...
que vejo passar de largo hoje, amanhã, depois fugir...
E, por uns breves segundos, vens.
Entregas-te de alma, coração e mente...
Trazes a enxorrada de um amor reprimido
pelo medo, insegurança, expectativas, sofrido...
O teu medo, o meu medo, a nossa inquietude,
temendo que depois, num momento, tudo mude
e seja insuportável fugir,
fingir,
sofrer por um amor que existe,
que não é uma história triste,
apenas um vazio comum onde so cabemos nós dois...
Que acontecerá depois?
Quantos amores tentarás sentar em minha poltrona?
Quantas vezes convidarei alguém p'ro teu lugar?
O tempo vai passar como aquela onda
que vem e não regressa morrendo no areal...
Ai meu amor!
Da-me palavras para sentir,
versos para escrever sem dor,
apenas poder neles exprimir
a força do nosso amor...
Guardo em segredo no cofre da alma
as lágrimas que vão caindo sem pedir,
procuro nelas recuperar a calma
mas o manto da saudade insiste em me cobrir...
Onde estás quando te busco entre tuas florestas?
Onde deixaste os teus desejos?
Onde está o amor dos teus beijos?
Tenho-os como promessas eternas!
Vejo-te como um vulto que me envolve,
que me ama sem me tocar,
que me vê sem me olhar...
Porque se nosso olhar se tocar,
se escutarmos a mesma canção,
se respirarmos o mesmo ar,
se pisarmos o mesmo chão...
Se nossos lábios se colarem
e se fundirem nossas emoções,
quando nossas vozes forem uníssonas
e reais as nossas ilusões...
Aí o sol vai parar entre o dia e a noite,
o horizonte vai colar o céu e o mar,
seremos um sonho de nós dois,
o mundo em redor vai parar...
Sereia