É meu destino... não sei viver sem Amor

Love of my Life

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Páginas Perfumadas

Gostei de brincar no lençol de erva fresca
quando era pequenina,
passos de bailarina
aprendendo as canções,
as palavras, as ilusões...
Gostei de experimentar ser grande,
de tentar subir a estante,
cair no chão, nos braços de alguém,
e ver quem sorria enquanto eu brincava...
Ainda não sabia eu onde estava...
inocente, dançava como folhas soltas
que, aleatoriamente, bailam com a brisa.
Parecia soltar-se um perfume denso,
e, mesmo sob a chuva, esquecida do tempo,
tomava o sabor da alegria, de ser feliz...
Naquele dia longo que cresci um pouco,
arrepiei-me com um olhar perdido e fugidio...
desolhei e tornei a procura-lo
para tentar espreita-lo...
e desvendar seus mistérios...
Aqueles momentos foram sérios...
aqueles toques tão genuínos e envergonhados
e melhor que o perfume doce que teimava ficar,
foi finalmente provaro sabor daquele olhar, sem ver...
pálpebras deitadas e os lábios quentes,
mãos inactivas, dormentes...
línguas doces e macias, envergonhadas...
num passeio lento acariciando,
de bocas coladas e corpo dançando,
era a tentativa atingida
de eternizar aquele primeiro beijo na vida...
Nas minhas mãos envergonhadas
poisava aquele frasco de licor,
de musgo, dourada cor,
o perfume que me desvendou...
Gastei-o em gotinhas,
deixando o mais que pudesse
para que durasse sem terminar...
Comprei às escondidas...
aquele diário confidente.
Nele colei páginas de perfumes,
outras de meus queixumes,
pinguei gotas de suor,
lágrimas de amor,
do meu primeiro amor!
Seu nome eternizei,
Pedro Miguel...
Pedro de rocha, meu abrigo seguro,
Miguel por ser meu Anjo,
que respira, onde, eu não sei...
Apenas seu rosto desenhei,
passados 20 anos o procurei,
como se fosse um tesouro enterrado
numa história de um amor encantado...
Quando não menina, já moça...
chegou a batida forte do coração,
canções originais, presentes,
abraços interminaveis
beijinhos repetidos, colados em rubores,
Daniel, o maior de todos os meus amores,
a minha página colorida,
pérolas de minha vida...
Que dia lindo do reencontro...
esposa, marido, os filhos...
mas aquele tom corado na pele...
e o coração ritmado, emocionado,
e o abraço desejado,
quase a medo,
não poupado...
Que seriam os meus dias de silêncios
e não os perfumasse assim de ilusões?
Se não lhes desse cor e perfume intenso,
se não lhes trouxesse recordações...
Que bom ser menina...
que delícia crescer...
e tornar a ser pequenina
sempre que, de novo, ler
as folhas lindas e perfumadas
dos dias em que fui amada...
das noites que chorei sozinha
e das mais lindas madrugadas...

as minhas memórias...

Sereia

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