podem chamar-me saudosista... não me importo...
tenho as mãos em concha, unidas,
junto à nascente, a água cair, e correr...
Lembro o primeiro beijo, conquistado, desejado, roubado..
Uma fonte se abriu e eu bebi.
Recordo aquele abraço quente quando estremeci,
e em rubor apenas saboreei, não resisti.
Não esqueço o amor de juventude, Daniel...
Tenho-o como uma tela em meu coração.
Nosso beijo único, eterno, inigualável,
ainda hoje nos perturba, é emoção...
Trago as mãos molhadas de carinho
daquele amigo tão meigo e apaixonado,
de um amor perdido no caminho,
um desejo provado, inacabado...
Tenho em mim o dia que foi meu...
quando me entreguei sem contenção...
tenho o vestido branco guardado,
e na memória a doce canção!
Trago uma gota salgada
que não escorreu, secou...
brotada de um amor intenso
que nunca se realizou.
E eu, sonhadora, menina, apaixonada,
quase sem dar por nada,
sou casulo,
hiberno no amor...
e espero o tempo em flor
para voar e colorir as asas
que me fazem de novo voar...
Trago dentro de mim a fonte
que corre em minhas mãos
águas límpidas e doces
rio de amor, de paixão...
Sereia









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