Olho-te sem esconder a profundeza de toda as minhas lágrimas,
sem a timidez e o nervosismo perante o teu corpo,
sem o medo de falhar em qualquer gesto para que tudo seja perfeito.
Olho o teu rosto que tenho desenhado nas palmas das minhas mãos...
Os contornos que memorizei nos meus dedos,
A boca que me inebriou,
O sabor que conservo nos meus lábios...
Olho-te secretamente.
Vejo teu sorriso discreto, teus lábios apertados,
teus olhos de soslaio,
Teu respirar,
O teu sussurro,
tua língua em meu ouvido,
tuas mãos perdidas em mim...
Vejo também teu coração perdido,
sinto a palpitação monótona dos dias,
sinto um ardor que me queima,
pelo pavor de acreditar
que te pressinto,
que o que sinto é real...
Mas doi tanto que corta,
rouba-me as forças,
faz-me enfraquecer cada dia.
Como é estranho o que sinto meu Deus!
Como custa este labirintoem que fujo de mim.
Em que vou de encontro a estas sensações,
em que sinto uma dor do lado de lá do mar...
Resgata-me Deus!
Não quero esta angústia infundada.
Não quero este abismo de um amor impossível.
Não quero recordar o beijo, o suor, a ansiedade, os encontros...
Não quero chorar nem declamar poemas de amor em vão.
Não quero ser eu!
Apaga-me de mim!
Leva-me em qualquer navio que me diste deste sofrimento.
Dilacera as correntes que me aprisionam a uma eternidade de amor e dor.
Faz-me desmaiar para sempre,
Apaga este meu destino cruel em que eu sou o nome que gravei na alma: Helder.









Nenhum comentário:
Postar um comentário