Sou a noite perdida sem Céu
Sou a insónia maldita que esfaqueia a voz...
Não sei a medida da dor…
Se dói por saudade
Se dói mais por amor
Se dói mais ainda a falta de ti em meu olhar,
Do teu toque em mim, virginal,
Que eu retenho imaculado em minha pele….
Não sei se magoa mais a vontade de correr rumo a ti
Rasgando as convenções e o tempo,
Ou então todas as vezes que tento
Fugir de tanta dor
E viver sublinhada pelo vazio incolor
Que é a tua ausência…
Eu não sei quem sou,
Só quem fui, e quem sustento dentro desse ser de outrora.
Vivo ali, naquele toque, naquele abraço,
No lençol branco amarrotado,
No cálice quebrado que celebrou teu corpo dentro do meu.
Fiquei ali, no suor dos vidros embaciados,
Na declamação do teu nome suspirado,
No desejo que te reservei com exclusividade...
Sou reclusa de todos os meus desejos mais ardentes
Que recuso ao mundo
Retendo-os para ti num culto mágico transcendental
Cujos trilhos são secretamente intocáveis...
E a quem, por isso, me odiar, invejar, ou abominar,
Eu suporto e entendo sem sombras nem máscaras.
Porque nessa longanimidade eu tenho a paz
De amar quem te ama também...
Eu sou uma estrela cadente nas mãos de quem me aprender.
Sou a pérola na mão das pessoas que amo
Sem que se apercebam sequer...
Sou o perfume subtil
Que atenta a cada dor e a carrega sem revelar...
Hoje eu tenho lágrimas mananciais,
Não como as de tantos dias, hoje são mais…
Há dias assim…
Sinto-te
Como se apertasse em mim o teu peito,
Como se sentisse teus impulsos e suspiros,
Como se te escutando mesmo distante.
Mas apenas eu sei.
E o mundo seguirá surdo
Sem saber, jamais, que em mim arde a dor abismal de te amar.
Sem saber a dor que conservo em mim
porque não amar-te doeria muito mais...










Nenhum comentário:
Postar um comentário