
Eu sei o que é sentir uma nuvem doce e perfumada preencher a alma.
Eu tenho no paladar as essências virginais de emoções que aguardam em ti um destino para se tornarem voz.
Fingi sorrisos onde as lágrimas corriam, e segredei aos oceanos que nunca revelassem meus infortúnios.
Dei passos na areia molhada, apenas com o olhar, sem forças para caminhar... mas projetando mãos dadas lado a lado, caladas, unidas por olhares que denunciam uma magia inigualável.
O mar também levou estas ilusões em segredo.
Resisti a cada golpe de espada desembainhada como se a ela fosse imune, como que amando-a, só por ela te mar também.
Aprendi a conviver com o esvoaçar dos teus braços sem plumas dispersas que me indiciassem o teu retorno, mas sempre te esperando, e ainda espero...
Bebi as tuas palavras soltas que trago ao peito num colar invisível cujo brilho ofusca quem passa sem que perceba o grau da sua pureza.
Eu partilho o meu dia-a-dia num monólogo delicado e cheio de sorrisos, que dentro de mim se estende num cenário idílico onde me escutas e me conheces, onde me olhas feliz e esquecido de um mundo glaciar que te rouba a paz...
Parei num momento de sonho e solicitei que me fizesse sua prisioneira.
Recebi em meu coração todas as princesas do teu reino, todas as afrontas converti em carícias, dissipei os seus ciúmes, e servi-lhes o mel da tua essência.
Abri os braços sobre o meu colo que te aguarda em cada retorno, porque eu sabia que nunca seriam partidas, mas apenas instantes que pedias ao tempo para saboreares a saudade...
E aqui estou, escondida, como sempre, nas palavras que nunca serão levadas por nenhum olhar, apenas suando gotas com o teu nome, porque em mim transborda como um Zambeze beijado pelos fins de tarde de Moçambique, o meu outro amor.
Eu sei olhar-te sem que sintas, sinto-te nos momentos em que a alma te aperta, em que te contens, em que ergues a cabeça para atropelar uma saudade, em cada anoitecer disfarçado de um sono que se chama pelo meu nome e teima em não estar.
Oiço-te em cada mentira com que te enganas, em cada verbo que implodes, em todos os suspiros com que sopras o meu rosto para longe...
Conheço as amarras que te vão dilacerando as mãos sem que percebas, alcanço o círculo que te encerra, aprisionado, e fecho os olhos para não ler o teu olhar perdido.
Hoje eu sei que não quero medir o mar.
Quero continuar a olha-lo como a gota de água que dista meu pensamento de ti, meu olhar e a tua imagem, meu sentimento da tua existência.
Amar sim, como quem alimenta um jardim, sem que ninguém passeie por ele, virginal, aguardando... na longanimidade que o amor permite exercer, mesmo nas incertezas de uma chegada que pode nunca acontecer...
Mas esse campo de flores e frutos levará através dos tempos, os aromas e manjares que alguém ousou sonhar...
Amar não é ilusão.
É fé espontânea.
É sentir, estranhamente, um chão seguro mesmo em meio a turbulentas bofetadas da vida.
É quase uma certeza sem provas de que as almas se completam mesmo que as mãos não se toquem, nem as vozes se cruzem ou nunca os corpos se deliciem.
O amar é um estado delicado mas inabalável da alma, que deixa rastos invisíveis, perfumes que toda a gente sente no ar, e que se protege com a autenticidade, como muralhas de um castelo de diamante... de portais abertos a quem queira respeitar e ser cúmplice desse universo tão único...
Eu sei amar. Eu sei sorrir sobre um beijo trocado, sei beijar teus olhos só de os recordar, sei repetir em meus ouvidos a tua voz quando me disseste que todos os dias pensavas em mim, sou capaz de me alimentar com tua declamação de prazer quando teu corpo tremeu.
Eu amo o encanto do sonho que não me frustra nunca vir a ser real.
Eu não amo uma ilusão nem uma improbabilidade.
Eu amo porque no simples ato de amar sou feliz.
Eu amo uma existência que és tu.









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