Deita-te.
Fecha os olhos, respira fundo...
Agora respira mais suave, tranquilo...
Deixa cair os braços sobre os lençóis de cetim.
Não me vês.
Surjo de um recanto escondido
de onde te falo, sussurrando...
Escuta cada palavra, cada verbo,
cada respirar...
A cama sente minha chegada.
Apenas te toco com os dedos, suavemente...
Até ter percorrido todos os teus tecidos...
O tempo passa.
Contem-te apenas,
perto de um estado sonolento.
Agora, semi-quente, a água cresce-me na boca.
Teu umbigo, o meu cálice...
Teu corpo, um manjar que apela, provo-o.
Sinto em minha língua cada impulso nervoso,
cada acção muscular, cada...
Agora, num movimento lento e sem esforço,
roda sobre teu corpo.
Em tuas costas sou teu manto,
meu calor, teu incêndio...
E quando te segredar, não fales, respira apenas!
Engole meus adjectivos, minhas fantasias...
Dá-me as mãos.
Entrelaça os teus nos meus dedos...
Não apertes, sente apenas...
Eles deslizam entre si,
conhecem-se.
Permitem-se explorar outros membros, um a um...
Então move-te, lentamente, levado pelo sonho.
Olha-me.
Nesse encontro estremeço.
Acordamos do silêncio.
Os suspiros contidos agora soltam-se.
Os vocábulos interrompidos pelos gemidos.
A lava ainda contida perturba e inquieta.
E rolamos.
E nos fundimos.
Queremos mais... mais... mais...
Muito mais.
Sem pressa.
Fogo e água.
Desejo e beijo.
De repente, o destino.
A incontenção.
O insuportável.
Erupção.
A explosão.
Hum....
Respira fundo...
E de novo...
Mais um momento...
sem repetir.
Apenas mais...
Até...
Que se cumpra...
Eu em ti!
Sereia









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