É manhã fria e húmida.
Vim procurar teu colo.
Só quero que, em silêncio, me abraces,
sentir meu rosto colado em teu peito quente
e fechar os olhos beijando esse momento.
Quero poder escutar o ritmo do teu peito,
sentir tua respiração e ficar assim, sem jeito,
timidamente, envolvida em ti, tocar-te...
Sentir tuas costas por baixo da camisa,
e meus dedos inquietos se aquecem.
Entre teu corpo e o meu fluir o calor que se retém,
e conter o turbilhão das emoções.
Apenas ali, num só, dois corações.
Na pele vestida sentir que o corpo se expressa
em movimentos sensuais, disfarçados, subtis...
Nasce uma dança embalada,
simplesmente pelo ritmo do suspiro
que vai soltando a alma...
E o abraço se desloca, se move,
lentamente, desce e sobe,
as mãos se encontram por acaso e deixam-se ficar,
entrançadas como que esperando novas ordens dadas...
Chega o momento do olhar fulminante
e desperta o magma contido há muito.
Sem dar tempo ao momento, naquele instante,
O beijo, o arrepio, a vontade, o desejo,
tudo explode e não se explica,
apenas se exprime em sons articulados com o sabor,
em cores de amor.
Quero-te nesse abraço que sonho
e que neste momento acontece
enquanto eu o descrevo e tu o lês.
Sereia









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