Passei sem conta-las uma a uma.
Esperei que continuassem sua caminhada para o meu passado.
Não as preenchi.
Mandei-as embora vazias.
Não as conheci.
Virei o rosto para os seus dias.
Eu despi os meus sentidos nas suas margens
para aprender...
Para forçosamente separar
o que é viver
do que é sonhar!
Senti minha alma esfriar, petrificar,
mas o coração esvaido teimava regar
e permanecia vida em mim!
Olhei-me naquele riacho de tempo,
e nha imagem era fusca,
indecifrável,
desbotada.
Procurei o diploma da minha fuga
e nele registava o fracasso,
a perda, a derrota.
Eu aprendi sim!
Aprendi aquilo que, afinal, era a minha única verdade.
Possuí nas mãos o sonho e a realidade
e, deles, não ocultei os meus medos,
antes, confessei-lhes os meus segredos...
Pedi-lhes que se amassem,
que fossem meus pais, meus avós,
meus filhos...
Eu implorei que me ensinassem
o que, na realidade, preciso aprender...
A deixar o sonho viver
onde ele pertence,
onde ninguém vence a arte da ilusão,
da imaginação,
do poder de acreditar,
no meu coração...
Continuo olhando o caudal da vida,
toco-o, mergulho, bebo-o
para que leve consigo as marcas da minha presença.
Para que registe o meu perfume,
cristalize meus momentos de felicidade,
e um dia, com mais idade,
eu vou busca-los ao mar desaguados,
para neles encontrar o sorriso perfeito
com o qual penso um dia partir...











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